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Suspeito de movimentar dinheiro para policial civil é preso em Campinas
G1 — Brasil · 2026-09-25T10:08:41.000Z
Suspeito de movimentar dinheiro para policial civil é preso em Campinas
Um homem suspeito de movimentar dinheiro para um policial civil foi preso nesta sexta-feira (25), em Campinas (SP), na segunda fase da Operação Infiltrados.
Deflagrada em junho, a ação apura a atuação de supostos infiltrados do PCC no Ministério Público e na Polícia Civil. Na primeira fase, foram presos um chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-policial civil e um ex-estagiário do MP.
De acordo com o Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), o homem preso nesta sexta não é policial, mas trabalhava para um dos policiais civis envolvidos no caso.
A Justiça autorizou a prisão temporária e uma busca na residência do suspeito, na Avenida Marechal Rondon. O nome do alvo não foi divulgado e, por isso, o g1 não oconseguiu localizar a defesa dele.
O homem foi identificado após a análise de documentos, celulares e notebooks apreendidos na primeira fase. Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ele teria atuado de duas formas:
transportando e movimentando dinheiro em benefício do policial civil;
fornecendo um celular com chip cadastrado em nome de outra pessoa, usado, em tese, para dificultar a identificação das conversas entre os envolvidos.
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Depósitos somam R$ 324 mil
Na casa de um dos acusados na primeira fase, foram encontrados comprovantes de depósitos bancários. Parte deles traz, de acordo com o Gaeco, a identificação do homem preso nesta sexta como responsável pelos pagamentos.
Os documentos apontam depósitos feitos entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, com valores entre R$ 10 mil e R$ 51,7 mil. Somadas, as movimentações chegam a R$ 324.220.
Para o Gaeco, os valores identificados são, em princípio, incompatíveis com os rendimentos dos agentes públicos envolvidos.
O órgão ainda tenta esclarecer a origem e o destino do dinheiro e verificar se outras pessoas participaram do esquema.
Suspeita de infiltração do PCC
A primeira fase da Operação Infiltrados apontou suspeitas de vazamento de informações sigilosas e extorsão.
O ex-estagiário do Ministério Público, Gabriel Lira de Jesus, é acusado de usar acessos a sistemas internos para identificar investigados e cobrar dinheiro em troca de uma suposta proteção.
Já o ex-chefe de investigadores da Polícia Civil, Maurício Aparecido de Oliveira, é suspeito de repassar informações privilegiadas a um investigado.
A Operação Infiltrados surgiu de apurações sobre um plano do PCC para matar o promotor Amauri Silveira Filho. Uma semana antes da ação que frustrou o atentado, o então chefe de investigadores da Dise de Campinas se reuniu com um dos suspeitos de executar o crime, segundo o Ministério Público.
De investigador a ex-estagiário do MP: quem são os presos por suspeita de ligação com o PCC
A partir daí, o Gaeco passou a apurar possível vazamento de informações sigilosas. Outra frente revelou suspeitas de extorsão: o ex-estagiário do MP teria cobrado R$ 500 mil para impedir o envio de informações sobre um investigado ao Gaeco.
Na primeira fase, a defesa de Maurício Oliveira afirmou que ainda aguardava acesso aos autos e criticou a prisão temporária. Já a defesa de Gabriel disse que os fatos seriam esclarecidos no processo e ressaltou que qualquer conclusão naquele momento seria prematura.
Os acusados na primeira fase respondem por associação criminosa, extorsão, violação de sigilo funcional e falsidade ideológica. O processo está em andamento.
A ocorrência desta sexta será apresentada na 1ª Seccional de Polícia Civil de Campinas.
Infográfico - como os investigados da Operação Infiltrados se conectam
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