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O convite não era dos mais atrativos. Acordar antes das sete horas da manhã para ver a seleção brasileira enfrentar a Austrália depois de uma Copa do Mundo muito decepcionante. E o que se viu em campo atendeu às baixíssimas expectativas.…
ge — Futebol · 2026-09-25T12:35:32.000Z
O convite não era dos mais atrativos. Acordar antes das sete horas da manhã para ver a seleção brasileira enfrentar a Austrália depois de uma Copa do Mundo muito decepcionante. E o que se viu em campo atendeu às baixíssimas expectativas. Atuação coletiva ruim, gramado lamentável e novo desempenho individual f dos principais jogadores. Há muito pouco a se destacar.
A segunda derrota da seleção nacional para a Austrália na história foi evitada por um gol de cabeça de Rayan no último minuto. O primeiro revés ocorreu há 25 anos, em uma disputa de terceiro lugar na Copa das Confederações 2001. Aquela partida foi a última de Emerson Leão como técnico da Seleção.
O mesmo não ocorrerá com Carlo Ancelotti. São contextos bem diferentes, mas o italiano será cada vez mais cobrado caso as coisas não comecem a mudar. A primeira sensação foi a pior possível depois da pífia partida de eliminação para Noruega no Mundial.
Vini Jr. Junior Vinícius Junior Brasil Austrália Amistoso Seleção Brasileira Camisa 7
Novamente a opção por quatro atacantes de origem distanciou os setores quando o time entrava em fase ofensiva. Poucas jogadas de aproximação foram vistas diante de uma compacta Austrália, principalmente quando o bloco de marcação dos Socceroos recuava e não era possível acelerar com passes nas costas da defesa ou em conduções de bola.
Muitas vezes Raphinha, Estevão, Vini Jr e Endrick eram vistos projetados em cima da última linha de defesa adversária, esperando a oportunidade para correrem na direção do gol. Enquanto isso, a bola circulava nos pés do quarteto defensivo brasileiro ou passava por Bruno Guimarães e Danilo sem soluções regulares.
A dupla de volantes conseguiu conectar os setores ao se projetar em alguns momentos. Se revezaram nesse aspecto. Bruno esteve mais presente perto da área no 1º tempo. Já Danilo fez esse papel na 2ª etapa, sobretudo após a entrada de Douglas Luiz. Mas foi pouco. É preciso envolver mais o quarteto ofensivo em jogadas de articulação, mesmo que ao menos dois deles não tenham essa característica.
Preencher mais o meio-campo não parece ser a ideia prioritária de Ancelotti. De fato há escassez de peças de primeira prateleira mundial neste setor. Então é necessário criar mecanismos para minimizar isso em partidas que o Brasil não terá tantos espaços para transições rápidas.
Jogadores do Brasil no amistoso contra Austrália
Na noite desta sexta, no Queensland Stadium, os contragolpes até ocorreram. Os melhores momentos do time brasileiro vieram desta forma. Longe, no entanto, de representar o cenário mais constante. A irregularidade do gramado foi outro detalhe a atrapalhar a definição das jogadas de um time mais técnico e leve. Alguns erros foram cometidos também em virtude do ''piso''.
É inadmissível a seleção brasileira atravessar o mundo para atuar em condições tão ruins de gramado. A CBF precia ter mais cuidado nos detalhes dos amistosos em que marca.
Outro fator negativo foi a atuação de Vinícius Jr. Em fase ruim no Real Madrid, o atacante demorou bastante a ''entrar no jogo''. Iniciou de forma dispersa, errando passes e dribles, gerando contragolpes aos australianos. Melhorou com o passar dos minutos, mas esbanjou imprecisão para terminar as jogadas, apesar de ter encaixado dois bons passes em ataques que poderiam terminar em gol.
Raphinha se esforçou bastante, mas não consegue chegar perto do jogador que é no ajustado Barcelona. Bateu o escanteio que encontrou a cabeçada precisa de Rayan aos 49' do 2º tempo. Entre os jogadores que vieram do banco, além de Rayan, Samuel Lino aproveitou a oportunidade ao aumentar o volume do ataque brasileiro pela esquerda.
Raphinha disputa bola com o gigante Souttar Brasil x Austrália primeiro Amistoso do ciclo
A desconexão entre os setores se viu também em algumas subidas de marcação da equipe. Apesar de ter feito um gol - anulado - com Estevão a partir de uma roubada de bola no campo de ataque, não foram poucos os momentos em que a Austrália saiu trocando passes curtos e encontrou liberdade em uma zona imensa de campo para Danilo e Bruno Guimarães tentarem proteger.
Se estivesse diante de um adversário com mais capacidade criativa, o Brasil certamente teria levado mais de um gol. O bom Irankunda teve méritos na cobrança de falta do tento australiano. A bola foi bem colocada, rápida e com efeito. Faltou a Hugo Souza, no entanto, reagir mais rapidamente. O goleiro pecou também ao hesitar em dois escanteios que quase terminaram em gols no 1º tempo.
Não dá para tirar grandes conclusões do que será a caminhada brasileira até 2030. A sensação atualmente, porém, é amarga e preocupante. Ancelotti não parece ter entendido perfeitamente os motivos do fraco desempenho do seu time no Mundial, e a maioria dos jogadores segue muito distante do que podem render.