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Delegado e policiais suspeitos de desviar cocaína apreendida são alvos de operação em MS
G1 — Brasil · 2026-09-25T13:38:26.000Z
Delegado e policiais suspeitos de desviar cocaína apreendida são alvos de operação em MS
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul afastou compulsoriamente oito policiais investigados na Operação Infiltrados, deflagrada nesta quinta-feira (24) para apurar um esquema de desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais. Veja a lista abaixo.
As portarias foram publicadas no Diário Oficial do Estado desta sexta-feira (25) e determinam o afastamento enquanto durar a prisão preventiva dos agentes. Também foram determinados o recolhimento de armas, carteiras funcionais e outros bens públicos, além da suspensão de senhas e acessos aos sistemas da instituição, como o SIGO e o Infoseg.
As portarias informam que os resultados da investigação serão encaminhados para apuração disciplinar pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil.
A investigação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), apura a suspeita de que policiais tenham usado a função pública e o acesso às estruturas das forças de segurança para retirar drogas apreendidas e repassá-las a integrantes de uma organização criminosa.
Segundo o MPMS, os investigadores identificaram duas formas de atuação: a omissão de parte dos entorpecentes nos registros oficiais das apreensões ou a retirada das drogas diretamente de depósitos das delegacias. A suspeita é de que os entorpecentes, principalmente cocaína, fossem posteriormente recolocados no mercado ilegal.
A investigação começou em outubro de 2025, a partir de elementos obtidos durante as Operações Traquetos e Blindspot, também conduzidas pelo Gaeco.
Delegado da Polícia Civil, Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa.
Quem foi afastado
Luiz Carlos de Souza, investigador lotado na Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar);
Douglas Tobias, investigador lotado no Grupo de Operações e Investigações (GOI);
Neverson Vieira de Araújo, investigador lotado na Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP);
Nelson Ricardo Barros de Oliveira, investigador lotado na Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Furtos e Roubos de Veículos (Defurv);
Nilton César Sales dos Santos, investigador lotado na Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Roubos e Furtos (Derf);
Roberto Palmeira da Silva, investigador lotado na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) de Campo Grande;
Marcos André Santos Chaves, investigador lotado na 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Campo Grande.
Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, delegado lotado na Delegacia de Polícia de .
O g1 entrou em contato com a defesa dos investigados no local das prisões, mas, até a publicação desta reportagem, os advogados disseram não ter acesso aos autos e, por isso, não se manifestaram.
Augusto Torres foi preso com R$ 160 mil, em Três Lagoas (MS).
Redes Sociais e PF/Reprodução
Ex-policial também é alvo
O ex-policial Augusto Torres Galvão Florindo também está entre os alvos da Operação Infiltrados.
Ele foi demitido da Polícia Civil em setembro de 2026 após um processo administrativo disciplinar relacionado a uma investigação sobre desvio e venda de cigarros eletrônicos apreendidos.
Augusto havia sido preso em novembro de 2025, em Três Lagoas, durante a investigação. Na ocasião, foram apreendidos R$ 153,5 mil.
Em agosto deste ano, ele foi absolvido pela Justiça Federal das acusações de corrupção passiva e corrupção ativa por falta de provas suficientes para demonstrar a relação entre o dinheiro e a função pública exercida por ele.
A absolvição ocorreu na esfera criminal. Posteriormente, houve a demissão na esfera administrativa.
Agora, Augusto voltou a ser alvo de investigação, desta vez no inquérito que apura o suposto desvio de drogas apreendidas.
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A operação cumpre 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.
A ação é realizada pelo Gaeco com apoio das corregedorias das polícias Civil e Militar, do Batalhão de Choque, do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e da Polícia Institucional do Ministério Público Federal.
Além dos oito policiais civis afastados, outros agentes de segurança são investigados. A situação de cada alvo depende do cumprimento dos respectivos mandados.
Casa do delegado preso em operação
O que diz a sejusp
""A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informa que a Operação “Infiltrados”, deflagrada nesta quinta-feira (24) pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) juntamente com as Corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Militar visa o cumprimento de mandados de busca e apreensão e prisão de investigados por tráfico de drogas e outros crimes.
A operação envolve servidores das forças de segurança pública que já eram investigados pelas respectivas Corregedorias, sendo que três deles já haviam sido presos anteriormente e um inclusive exonerado recentemente.
A Sejusp e as forças de segurança de Mato Grosso do Sul não compactuam com qualquer desvio de conduta ou prática ilícita por parte de seus integrantes. Eventuais desvios serão apurados com rigor, observando a legislação vigente, o devido processo legal e as garantias individuais dos investigados.
A Secretaria reafirma seu compromisso com a legalidade, a máxima transparência e o fortalecimento dos mecanismos de controle e correição das instituições que a integram."
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