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Justiça conclui fase de depoimentos em processo contra pastor acusado de abusar de fiéis no MA

Justiça encerra audiências de pastor acusado de abusar de fiéis no MA

G1 — Brasil · 2026-09-26T11:14:41.000Z

Justiça encerra audiências de pastor acusado de abusar de fiéis no MA

A fase de audiências de instrução do processo contra o pastor David Gonçalves da Silva, acusado de estupro de vulnerável, tortura e estelionato contra fiéis, foi encerrada na sexta-feira (25), no Fórum de Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís.

Ao longo de cinco dias de audiências, 48 pessoas prestaram depoimento, entre supostas vítimas, testemunhas e o próprio acusado.

Com o fim dessa etapa, o processo entra agora na fase de alegações finais, quando o Ministério Público e a defesa apresentam à Justiça suas considerações sobre as provas e os depoimentos reunidos durante a instrução.

Depois das manifestações das duas partes, o processo seguirá para análise da Justiça, que deverá decidir sobre as acusações contra o pastor. David Gonçalves está preso desde 17 de abril.

O processo tramita em segredo de Justiça. Por isso, o conteúdo dos depoimentos prestados durante as audiências não foi divulgado.

Segundo a denúncia do Ministério Público, David Gonçalves teria usado a posição de líder religioso para manipular fiéis e cometer abusos sexuais, tortura e outros crimes contra pessoas ligadas à Shekinah House Church, em Paço do Lumiar.

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O pastor David Gonçalves Silva, líder religioso da igreja Shekinah House Church, foi preso na manhã desta sexta-feira (17).

David Gonçalves da Silva foi preso em 17 de abril durante a investigação denominada “Falso Profeta”. Na fase de investigação, ele era suspeito de crimes de estelionato, estupro de vulnerável, posse sexual mediante fraude e associação criminosa.

A investigação da Polícia Civil durou cerca de dois anos e começou após denúncias feitas por ex-fiéis. Segundo o delegado Sidney Oliveira, titular da Delegacia de Paço do Lumiar, entre cinco e seis vítimas relacionadas aos crimes haviam sido identificadas durante o inquérito.

A partir do depoimento de uma das supostas vítimas, outras pessoas foram identificadas e ouvidas. A investigação chegou também a pessoas que estavam nos estados do Pará e do Ceará.

Segundo a Polícia Civil, o pastor teria exercido controle durante anos sobre uma comunidade formada por cerca de 100 a 150 fiéis.

Vítimas relataram castigos físicos e violência psicológica

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De acordo com depoimentos colhidos durante a investigação, a igreja mantinha um sistema de punições físicas e psicológicas contra pessoas que descumprissem regras internas ou contrariassem determinações do líder religioso.

Entre as vítimas estão pessoas que chegaram à instituição em situação de vulnerabilidade. Um dos denunciantes afirmou ter entrado na igreja aos 13 anos, quando vivia em situação de rua e buscava ajuda.

“Eu cheguei com 13 anos de idade. Estava na rua, em situação de vulnerabilidade, e pensando que estava me refugiando para ter uma ajuda, mas infelizmente vivi uma prisão por vários anos. Até hoje sou traumatizado por conta de tudo que vivi, por conta de abuso sexual e psicológico”, disse uma das vítimas.

Segundo os relatos, um dos castigos aplicados era chamado de “readas” e consistia em chicotadas com um reio, instrumento semelhante a um chicote usado em cavalos.

Durante o cumprimento de mandado relacionado à investigação, a polícia também apreendeu folhas de papel com a frase “Eu preciso aprender a respeitar o meu líder” escrita mais de 100 vezes. Segundo os investigadores, a repetição da frase fazia parte das punições impostas aos fiéis.

A Polícia Civil afirmou, durante a investigação, que, apesar de a comunidade religiosa reunir homens e mulheres, homens apareciam como os principais alvos dos supostos abusos sexuais. Uma das vítimas relatou que os abusos teriam ocorrido durante vários anos.

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