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Papa Leão XIII pede que Igreja reconheça falhas antes de ouvir vítimas de abuso na França

Papa Leão XIII celebra missa dominical no campo do Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, durante sua viagem apostólica de quatro dias à França.

G1 — Mundo · 2026-09-27T10:47:26.000Z

Papa Leão XIII celebra missa dominical no campo do Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, durante sua viagem apostólica de quatro dias à França.

O Papa Leão XIII pediu, neste domingo (27), que a Igreja Católica reconheça suas próprias falhas e cure as "feridas profundas" causadas dentro de suas fileiras, horas antes de se encontrar com vítimas de abusos cometidos por padres na França.

Leão, ao se dirigir a uma multidão reunida em um grande campo próximo ao famoso santuário católico de Lourdes, disse que a Igreja deve ter coragem para encarar seu passado, mas não fez referência direta aos escândalos de abuso na França, que provocaram comoção nacional.

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"Para curar as feridas profundas, as infidelidades e os erros dolorosos que ocorreram dentro da Igreja, devemos nos colocar humildemente sob o olhar purificador do Senhor", disse o primeiro papa dos Estados Unidos a cerca de 150 mil pessoas reunidas em um campo ensolarado.

Leão está em uma visita relâmpago de quatro dias a três cidades da França, onde voltou a pedir ao mundo que repense o desenvolvimento da inteligência artificial. No sábado, ele atraiu cerca de 800 mil pessoas para uma missa ao ar livre na Champs-Élysées, em Paris.

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Líderes locais da Igreja esperam que ele ajude a recuperar a reputação da instituição após um relatório de 2021 apontar que cerca de 330 mil crianças francesas foram vítimas de abusos cometidos por membros do clero e líderes leigos católicos ao longo de sete décadas.

Em uma reunião anterior, realizada a portas fechadas com bispos franceses, Leão se referiu diretamente ao "flagelo doloroso dos abusos cometidos contra menores por membros do clero", de acordo com um texto fornecido pelo Vaticano.

O papa agradeceu aos bispos pelas "medidas corajosas" que, segundo ele, foram tomadas para enfrentar os escândalos e os incentivou a reforçar as ações de proteção e a "continuar no caminho trilhado, mantendo a maior vigilância".

Sobreviventes de abusos cobram mudanças da Igreja

Leão já pediu desculpas diretamente pelos escândalos de abuso que prejudicaram a credibilidade da Igreja em todo o mundo. Durante uma viagem à Espanha, em junho, ele disse aos bispos locais que deveriam ouvir as vítimas e oferecer reparações.

O papa deverá se reunir, a portas fechadas, com sete vítimas francesas de abusos cometidos por membros do clero ainda neste domingo. Alguns sobreviventes disseram duvidar que o encontro resulte em mudanças rápidas por parte da Igreja.

"Estou bastante cética de que o papa vá resolver a questão, pelo menos não imediatamente", disse à Reuters Michèle Le Reun-Gaigné, copresidente de uma associação de sobreviventes no oeste da França.

"As coisas estão se movendo muito lentamente", disse ela. "Não vai acontecer da noite para o dia

O bispo Pierre-Antoine Bozo, porta-voz dos bispos franceses, afirmou que o desejo do papa de realizar o encontro "mostra que não podemos ignorar essa questão e que ela deve sempre permanecer entre as nossas preocupações".

Papa Leão XIII celebra missa dominical no campo do Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, durante sua viagem apostólica de quatro dias à França.

Lourdes ligada a escândalo no Vaticano

O itinerário do papa na França inclui seis eventos em Lourdes, cidade aos pés dos Pirineus que recebe cerca de 3 milhões de peregrinos por ano. Eles visitam um santuário dedicado à Virgem Maria e as supostas águas termais com propriedades curativas.

O local também está ligado a um escândalo que tem afetado o Vaticano nos últimos anos. A fachada do santuário apresenta uma série de mosaicos do padre Marko Rupnik, um proeminente artista religioso com ligações com o Vaticano que foi acusado de abuso sexual.

Rupnik, acusado por mais de 20 mulheres, não se pronunciou publicamente sobre as denúncias. Na quinta-feira, cinco de suas supostas vítimas escreveram uma carta aberta ao papa, na qual criticaram duramente o julgamento do clérigo em andamento no Vaticano.

Os mosaicos, que ocupam vários andares, foram cobertos com grandes lonas amarelas para a visita do papa. Ao chegar para a missa de domingo, Leão foi levado em seu papamóvel conversível próximo à fachada do santuário e aos mosaicos cobertos.

Na sexta-feira, o papa reiterou veementemente a oposição da Igreja Católica às iniciativas de morte assistida, dois meses depois de a França ter criado o direito legal à morte para pessoas com doenças incuráveis. Em Lourdes, ele voltou a defender a posição da Igreja em favor da vida.

Ele afirmou que a acolhida do santuário aos peregrinos doentes que esperam encontrar um milagre em suas águas se opõe às "tendências atuais que buscam redefinir o valor da vida humana na doença".

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