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De paciente a funcionária: história de sobrevivente de tentativa de feminicídio simboliza os 50 anos da Sorri em Bauru

Sorri Bauru inaugura espaço multissensorial para celebrar 50 anos de atuação

G1 — Brasil · 2026-09-27T11:00:00.000Z

Sorri Bauru inaugura espaço multissensorial para celebrar 50 anos de atuação

Sorri Bauru inaugura espaço multissensorial para celebrar 50 anos de atuação

Quantas histórias cabem em 50 anos? Entre as milhares de trajetórias que se cruzam com o meio século da Sorri em Bauru (SP) está a de Vitória Cândido.

Há um ano, ela tratava as sequelas de uma tentativa de feminicídio na instituição; hoje, recomeçou a vida trabalhando na lanchonete do próprio local.

Ao completar 50 anos de fundação, no dia 25 de setembro, a entidade celebra sua consolidação como um dos principais polos de reabilitação, inclusão profissional e assistência à saúde no interior paulista.

Meio século de histórias

Há um ano, a rotina de Vitória na Sorri era de intensas sessões de fisioterapia e fonoaudiologia. Fragilizada física e emocionalmente, a jovem buscava no local uma chance de reconstrução. Hoje, a rotina dela continua na instituição, mas do outro lado do balcão: superou a fase de reabilitação e foi contratada para trabalhar no local.

"Para mim é uma honra, porque eu estou trabalhando hoje com os profissionais que cuidaram de mim", afirmaVitória.

Após uma tentativa de feminicídio, Vitória Cândido foi paciente da Sorri Bauru e hoje é funcionária

O ponto de partida dessa rede de acolhimento começou em 1976, quando Bauru tinha apenas 155 mil habitantes, frente aos mais de 390 mil atuais, segundo dados do IBGE.

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Na época, o pesquisador norte-americano Thomas Frist, de 31 anos, pós-graduado em Saúde Pública pela Universidade de Yale, chegou ao município a convite da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para estudar o programa de combate à hanseníase. Da percepção de que era preciso ir além do tratamento médico e promover a reintegração social dos pacientes, nasceu a Sorri.

Thomas Frist fundados da Sorri Bauru

"Tenho muito orgulho de ter fundado a Sorri, mas são as outras pessoas que melhoraram muito os serviços e a expandiram", afirmou Thomas.

Com dois anos de existência, a instituição firmou parceria com a Secretaria de Promoção Social — atual Secretaria Municipal de Assistência Social — para estruturar as ações de amparo à sociedade.

A sede própria foi construída em 1981, em um terreno doado conjuntamente pela prefeitura e pela antiga Fundação Educacional de Bauru (hoje Unesp).

Sorri Bauru completa 50 anos

Nas cinco décadas seguintes, o trabalho se expandiu para múltiplas frentes. Em 2007, a instituição inaugurou a Oficina Ortopédica para a confecção própria de próteses, órteses e palmilhas sob medida. Renato Busnardo, coordenador de tecnologia assistiva, explicou à TV TEM que hoje as peças são produzidas em 3D.

"Hoje nós fazemos as próteses sob medida em 3D. Realizamos o escaneamento do coto, que é lançado para um software no qual fazemos toda a confecção, como se fosse na época do gesso. Depois de feitas essas correções, encaminhamos esse equipamento para um setor de fabricação, onde são confeccionados os encaixes, e depois fazemos as provas e a entrega dos equipamentos", explicou.

De paciente a voluntário

É nesse espaço que a história da Sorri se cruza com a de Agno Carlos, que frequenta a instituição desde 2005. Ele começou o atendimento na oficina ortopédica por precisar de uma órtese para melhorar a função do pé direito, em decorrência de uma má-formação de nascença.

Após um período de alta, em 2020, Agno precisou retomar o atendimento ao ter o pé amputado em um acidente de trabalho. Hoje, ele utiliza uma prótese desenvolvida na própria oficina ortopédica e recuperou a autonomia. Agno relatou que, no momento da amputação, enfrentou episódios de depressão, e todo o acolhimento recebido na instituição lhe deu forças para se recuperar e atuar hoje como voluntário.

Agno Carlos foi paciente e hoje atua como voluntário na Sorri Bauru

"No começo, a fase de adaptação após a amputação foi um pouco difícil. Mas a partir do momento em que vim para a Sorri fazer fisioterapia, tive aquela alegria participando dos projetos socioculturais. A alegria voltou, a depressão foi embora. Como voluntário, a gente observa outros usuários passando pelo mesmo processo que eu, um processo de recuperação e superação", compartilhou Agno.

Atuação na cidade

Mais recentemente, a Sorri assumiu a gestão do primeiro Centro TEA do interior paulista, passou a administrar Unidades de Saúde da Família (USF) no município e projeta o lançamento de uma "Cidade Sensorial", voltada à estimulação e ao desenvolvimento de pessoas no espectro autista.

Luis Fernando Maximino Bento hoje é diretor executivo da Sorri Bauru

O diretor-executivo da Sorri, Luis Fernando Maximino Bento, explicou que o maior objetivo de toda a equipe é preservar a missão da instituição e cuidar dos pacientes com amor e acolhimento.

"O mais desafiador é as pessoas não perderem a essência da Sorri, a nossa missão. A Sorri olha muito para o lado humano. Então, qual é o seu objetivo de vida ou o da sua família? É a partir desse objetivo que é traçado o plano do usuário aqui dentro da Sorri", disse.

Funcionários e pacientes no início da Sorri Bauru

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