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'Nossa relação é sinônimo de vida': o transplante que uniu irmãs no RJ
G1 — Brasil · 2026-09-27T13:28:20.000Z
'Nossa relação é sinônimo de vida': o transplante que uniu irmãs no RJ
''Agora, a nossa relação é sinônimo de vida''. Este é o relato de Jaqueline e Quênia Paiva, moradoras de Barra do Piraí (RJ), que transformaram a relação de amor entre irmãs em uma nova chance de recomeço.
Neste domingo (27), Dia Nacional da Doação de Órgãos, o g1 conversou com a dupla sobre como a doação de órgãos se fez presente na vida delas.
Sempre muito próximas, as duas se consideram confidentes, melhores amigas e em fevereiro deste ano, viveram juntas um dos momentos mais importantes de suas vidas: um transplante renal que, para Jaqueline, representou uma nova chance.
Quênia (à esq.) e Jaqueline (à direita)
''Agora, a nossa relação é sinônimo de vida, de uma vida nova, que tem como base muito amor e companheirismo”, conta Jaqueline.
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A história com o transplante, no entanto, começou anos antes. Em 2017, Jaqueline procurou um pronto-socorro por um motivo que não tinha relação com os rins. Durante o atendimento, os profissionais perceberam que a pressão arterial estava muito alta.
Como ela não apresentava sintomas, foi orientada a procurar um cardiologista para investigar a causa da hipertensão. Durante meses, passou por vários exames, incluindo monitoramento da pressão durante 24 horas e exames de imagem. Os resultados não apontavam alterações no coração, mas a pressão continuava elevada.
Foi então que o médico solicitou um exame de urina de 24 horas. O resultado mostrou uma quantidade elevada de proteinúria na urina, o que levou Jaqueline a procurar um nefrologista.
Depois de anos de investigação, ela passou por uma biópsia renal em 2020, que identificou a glomeruloesclerose segmentar e focal (GESF), uma doença que afeta os rins.
A partir do diagnóstico, Jaqueline iniciou o chamado tratamento conservador, com medicamentos e mudanças na alimentação para tentar controlar a evolução da doença e preservar a função renal.
“Eu sou professora, então, para as escolas que eu ia, eu levava a minha marmita, a minha comida, levava água. Sempre levei água”, contou.
Mesmo com os cuidados, a doença avançou. Em outubro de 2025, Jaqueline procurou um pronto-socorro após sentir dores na região lombar. Os exames mostraram que a função dos rins havia caído significativamente.
Até então, ela havia passado por uma consulta médica em julho e os resultados estavam dentro do esperado. A piora, portanto, aconteceu de forma inesperada.
Foi a primeira internação da vida de Jaqueline. Poucos dias depois, em 18 de outubro, ela começou a fazer hemodiálise.
Durante cerca de quatro meses, até fevereiro de 2026, eram três sessões por semana, com aproximadamente quatro horas. Quênia acompanhou a irmã em todas as sessões e permanecia na recepção da clínica enquanto Jaqueline fazia o tratamento.
“Eu ficava do lado de dentro fazendo a hemodiálise e ela ficava o tempo todo na recepção me esperando”, lembrou.
A possibilidade do transplante
Enquanto fazia hemodiálise, Jaqueline recebeu da equipe médica a orientação para iniciar o processo de avaliação para um transplante.
Em novembro de 2025, ela começou a ser acompanhada pela equipe responsável pelo procedimento. Os médicos explicaram que ela poderia entrar na lista para receber um rim de um doador falecido ou verificar se havia alguém próximo disposto a ser um doador vivo.
Foi quando Quênia decidiu fazer os exames de compatibilidade.
“Quando surgiu a possibilidade do transplante, eu não tinha dúvida que ela iria se dispor a doar para mim”, conta Jaqueline.
O exame mostrou que as duas eram compatíveis. A notícia trouxe alívio e alegria para a família, mas ainda era apenas o primeiro passo. Quênia precisou passar por uma série de exames para confirmar que estava apta a doar e que o procedimento não representaria riscos para ela.
Depois da avaliação, veio a espera pela autorização do plano de saúde. Foram cerca de 30 dias até a liberação do procedimento.
A gente se encontra depois da vida nova
Encontro pós transplante em fevereiro
A cirurgia aconteceu em 6 de fevereiro de 2026. As duas chegaram juntas ao hospital e passaram um período no pré-operatório.
Jaqueline estava mais nervosa. Antes de entrar na sala de cirurgia, Quênia tentou tranquilizar a irmã e disse que tudo daria certo.
“Ela me falou que ia dar tudo certo, que já tinha dado tudo certo, e que a gente se encontrava depois da vida nova”, lembra Jaqueline.
A cirurgia da doadora aconteceu primeiro. Depois, Jaqueline foi levada para o centro cirúrgico e quando acordou, a primeira pergunta foi sobre a irmã.
As duas se reencontraram depois dos procedimentos. Para elas, aquele foi o momento mais marcante de todo o processo.
“Meu coração estava cheio de gratidão, cheio de amor. Esse foi o momento mais marcante desse dia, quando a gente se encontrou e conseguiu olhar uma para a outra e viu que estava tudo bem”, afirmou Jaqueline.
Uma nova vida
Jaqueline recorda de uma frase dita pela médica que a acompanhava durante o tratamento. Ao ver o cuidado da família antes da cirurgia, a profissional disse que Quênia estava dando uma nova vida à irmã.
Para ela, receber o rim da irmã foi como renascer.
“Eu ganhei uma segunda vida a partir da generosidade dela”, afirma Jaqueline.
O transplante também mudou a maneira como as duas enxergam a própria relação.
“Eu não sabia que o amor que a gente sente uma pela outra conseguiria ficar ainda maior. Eu achava que já era o máximo de amor possível, mas conseguiu aumentar”, disse.
Hoje, cada dia sem a necessidade da hemodiálise reforça esse sentimento.
“Todo dia que eu vejo que eu estou bem, estou saudável, que eu não preciso fazer hemodiálise, eu consigo amar ela ainda mais. Eu descobri que era possível”, completa.
A fé também acompanhou as duas durante todo o processo. Devotas de Nossa Senhora Aparecida, elas associam parte importante da história à data de 12 de outubro, quando Jaqueline foi internada pela primeira vez e, em seguida, começou a hemodiálise.
Durante o tratamento, as irmãs fizeram questão de visitar o Santuário Nacional de Aparecida para agradecer pela possibilidade de tratamento.
Depois do transplante, voltaram ao local. Quatro meses após a cirurgia, levaram um quadro com fotos e a descrição da história das duas para deixar na Sala das Promessas.
Depois de anos de tratamento, quatro meses de hemodiálise e uma cirurgia que mudou a rotina das duas, Jaqueline e Quênia seguem compartilhando uma nova etapa da vida.
Visita ao Santuário Nacional de Aparecida
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