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Bebê de um ano e meio aguarda há meses por cirurgia urológica em MG; prefeitura diz que não tem especialista

Bebê de um ano e meio aguarda há meses por cirurgia renal em Poços de Caldas

G1 — Brasil · 2026-09-27T14:14:15.000Z

Bebê de um ano e meio aguarda há meses por cirurgia renal em Poços de Caldas

Um bebê de um ano e meio aguarda há cinco meses por uma cirurgia urológica em Poços de Caldas (MG) . Levi Campos de Araújo tem diagnóstico de hidronefrose, condição caracterizada pela dilatação do sistema dos rins, associada a uma obstrução urinária.

Segundo a mãe, Gabriela Campos, o menino nasceu com essa condição e, desde então, faz acompanhamento médico e exames regularmente, mas, diante do comprometimento da função renal, ele precisa passar por uma pieloplastia, que é a cirurgia indicada para corrigir a obstrução.

O pedido, apontado como urgência, chegou à Secretaria Municipal de Saúde em 15 de abril deste ano, foi analisado, aprovado e inserido no sistema Conecta ainda naquele mês. Mas, até agora, a solicitação aguarda agendamento, sem data definida para a cirurgia.

Bebê aguarda por cirurgia urológica em Poços de Caldas, mas cidade não tem especialista

Segundo o diretor de Qualidade da Secretaria Municipal de Saúde, João Carlos Naldoni Júnior, a falta de um especialista em urologia infantil na rede local é um dos obstáculos para o atendimento.

"Qual que é o grande problema do caso do Levi? É um procedimento tão específico que ocorre com uma frequência tão pequena que nós não temos na região profissional habilitado para fazer ou o equipamento necessário. E a equipe está se dedicando a buscar, em outras partes do estado e fora do estado, um local mais adequado para fazer esse atendimento da criança", afirmou.

Espera dura meses

A família de Levi afirma que o pedido de avaliação para cirurgia está em andamento desde o ano passado. A criança teve uma consulta marcada para 26 de agosto, mas o atendimento foi desmarcado e remarcado para 16 de setembro, data em que, segundo a mãe, também não foi realizado.

A Secretaria de Saúde informou que o atendimento de 26 de agosto não ocorreu por indisponibilidade do médico cirurgião pediátrico responsável. A consulta então foi reagendada para 16 de setembro, conforme a disponibilidade da agenda assistencial. A pasta explicou que o caso foi tratado como reagendamento por ajuste de fluxo, e não como uma determinação individual de adiamento.

A espera pelo procedimento na rede pública levou a família a criar uma campanha para arrecadar dinheiro e tentar realizar a cirurgia na rede particular. Segundo a mãe, o procedimento pode custar entre R$ 15 mil e R$ 20 mil.

Secretaria diz que busca profissional para realizar cirurgia

Em resposta a requerimento da Câmara Municipal sobre o caso do Levi e a fila para procedimentos médicos, a Secretaria Municipal de Saúde informou que 43 crianças estão cadastradas no sistema Conecta com indicação de procedimento cirúrgico relacionado à urologia.

Como não há urologista infantil na rede municipal, os pacientes são inicialmente avaliados por um cirurgião pediátrico e, quando é confirmada a necessidade de um procedimento que exige a atuação do especialista, é emitido o formulário para Tratamento Fora do Domicílio (TFD), benefício do Sistema Único de Saúde (SUS) que garante transporte, alimentação e hospedagem para pacientes que precisam se deslocar para outras cidades para realizar procedimentos de média e alta complexidade.

Fila para procedimentos

Família faz vaquinha para operar menino de um ano que precisa de cirurgia urológica

A situação de Levi chamou atenção da Câmara Municipal para o problema das filas por procedimentos na rede pública de saúde de Poços de Caldas.

Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, em julho de 2026, o município tinha 35.219 solicitações em demanda reprimida, distribuídas entre 147 especialidades e tipos de exames especializados.

Entre as especialidades com maior número de solicitações aguardando atendimento estavam dermatologia, com 3.657 pedidos; oftalmologia, com 3.214; psiquiatria, com 2.879; neurologia, com 2.743; otorrinolaringologia, com 2.396; e ortopedia, com 2.352.

Segundo a Secretaria de Saúde, as equipes de Saúde da Família contam atualmente com um médico responsável e não há, no momento, equipe sem cobertura médica. A pasta explica que essas equipes são formadas por médicos generalistas e que os atendimentos especializados são realizados na rede de atenção especializada, a partir dos encaminhamentos e dos fluxos de regulação.

De acordo com Naldoni Júnior, mais de 23 mil procedimentos são agendados mensalmente, e a prefeitura tem desenvolvido ações para aumentar consultas especializadas, principalmente nas áreas com maior demanda, como neuropediatra e dermatologista e tem realizado mutirões de cirurgia e procedimentos fora do município.

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