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Uso de aplicativo por pacientes com hipertensão está associado a maior adesão ao tratamento e queda na pressão, diz estudo

Um estudo clínico internacional liderado pelo Einstein Hospital Israelita identificou maior adesão ao tratamento e redução da pressão arterial entre pacientes com hipertensão que mantiveram o uso de um aplicativo de saúde ao longo de seis meses.

G1 — Brasil · 2026-09-28T07:00:00.000Z

Um estudo clínico internacional liderado pelo Einstein Hospital Israelita identificou maior adesão ao tratamento e redução da pressão arterial entre pacientes com hipertensão que mantiveram o uso de um aplicativo de saúde ao longo de seis meses.

A pesquisa ELFIE-HYPERTENSION monitorou 930 pacientes com hipertensão não controlada em 16 centros de pesquisa no Brasil e no Vietnã. Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos: metade recebeu acesso ao aplicativo Elfie, além do tratamento convencional, e a outra metade recebeu apenas o tratamento convencional.

Entre os pacientes que interagiram com o aplicativo pelo menos uma vez por mês, a redução da pressão arterial sistólica foi de 4,2 mmHg. Entre os que mantiveram um uso semanal mais consistente, a queda chegou a 4,8 mmHg.

Segundo os pesquisadores, os resultados sugerem que não é necessário utilizar a ferramenta todos os dias para observar benefícios associados ao engajamento com o tratamento.

O aplicativo oferece recursos como lembretes para a tomada de medicamentos, registro da pressão arterial, conteúdos educativos, gamificação e um assistente virtual baseado em inteligência artificial.

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Ao analisar todos os pacientes que receberam acesso ao aplicativo, independentemente da frequência de utilização, os pesquisadores também observaram melhora na adesão ao tratamento anti-hipertensivo, melhores indicadores de autocuidado, menor necessidade de intensificação da terapia e menos consultas e visitas cardiovasculares não planejadas, em comparação com o tratamento convencional isolado.

Apesar dos resultados observados nas análises relacionadas ao nível de engajamento, o estudo não encontrou diferença estatisticamente significativa entre os dois grupos na pressão arterial sistólica ao final dos seis meses. Essa era a principal medida de eficácia definida pelos pesquisadores.

Os dois grupos apresentaram redução da pressão ao longo do acompanhamento. Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores é que o próprio acompanhamento próximo dos participantes durante o ensaio clínico possa ter provocado mudanças de comportamento, fenômeno conhecido como efeito Hawthorne.

Por isso, os pesquisadores fizeram análises previamente definidas levando em conta o nível de utilização do aplicativo. Entre os pacientes que receberam acesso à ferramenta, 56% utilizaram o aplicativo regularmente durante o período de seis meses, enquanto 40% fizeram uso semanal em pelo menos 80% do tempo de acompanhamento. Os melhores resultados clínicos foram observados entre aqueles com maior consistência de uso.

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Para a cardiologista Karla Espírito Santo, pesquisadora do Einstein e uma das responsáveis pelo estudo, os resultados mostram que uma tecnologia de saúde precisa, além de existir, conseguir manter o paciente engajado ao longo do tempo.

“A inovação em saúde depende não apenas do desenvolvimento de novas tecnologias, mas também da demonstração de seu impacto no mundo real por meio de uma metodologia científica robusta”, afirma a médica.

Segundo ela, recursos como gamificação, monitoramento personalizado e inteligência artificial podem ajudar a estimular a participação dos usuários e apoiar comportamentos relacionados ao tratamento.

Lembretes ajudaram na rotina dos pacientes

Ao final do estudo, 89,4% dos usuários disseram considerar útil o plano de monitoramento da pressão arterial oferecido pelo aplicativo. Outros 83,9% afirmaram que os lembretes ajudaram na tomada diária dos medicamentos, enquanto 78,5% disseram que pretendiam continuar utilizando a ferramenta depois do fim da pesquisa.

O estudo foi apresentado no ESC Congress 2026, principal encontro científico da Sociedade Europeia de Cardiologia. Os resultados ainda não foram publicados em uma revista científica.

A pesquisa foi conduzida pela Academic Research Organization (ARO) do Einstein, responsável pelo desenho, coordenação e condução do ensaio.

A hipertensão é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). O acompanhamento médico e o uso correto dos medicamentos continuam sendo fundamentais para o controle da doença.

O aplicativo estudado é apresentado pelos pesquisadores como uma ferramenta complementar, e não como substituto do tratamento médico. O Elfie é gratuito e está disponível para Android e iOS.

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