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Vice-prefeita acusada de desviar R$ 41 mil para 'amarração amorosa' morreu às vésperas de julgamento

Juliana Maria Teixeira da Costa morreu após acidente de carro em Ribeira, SP

G1 — Brasil · 2026-09-28T08:27:27.000Z

Juliana Maria Teixeira da Costa morreu após acidente de carro em Ribeira, SP

Juliana Maria Teixeira da Costa, vice-prefeita e secretária de Saúde afastada de Ribeira, aguardava uma sentença da Justiça de Apiaí, no interior de São Paulo, no processo em que foi denunciada por fraude a licitações e pelo suposto desvio de R$ 41,2 mil para pagar uma "amarração espiritual". Ela morreu em um acidente de carro no sábado (26).

A fase de instrução do processo havia sido encerrada e o caso aguardava a sentença da juíza Lara Lima Farias. Juliana respondia por associação criminosa, fraude à licitação, uso de documento falso, falsidade ideológica e peculato. A defesa negou os crimes e afirmou que ela foi vítima de extorsão e perseguição política.

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O processo foi enviado ao gabinete da juíza no último dia 8 e, desde então, aguardava decisão. Embora a legislação estabeleça prazos para decisões judiciais, o tempo de análise pode variar conforme as características de cada processo.

Com a morte de Juliana, a Justiça deverá analisar a extinção da punibilidade dela no processo penal. O caso, porém, continua em relação aos demais réus. Não há previsão para a publicação da sentença pela Vara de Apiaí.

Juliana Maria Teixeira da Costa morreu após acidente de carro em Ribeira, SP

A vice-prefeita estava afastada do cargo desde agosto de 2025, após ser denunciada por supostamente fraudar licitações para favorecer uma empresa terceirizada. Segundo a acusação, ela teria atuado com Lauro Olegário da Silva Filho, então coordenador municipal de Saúde, e Willian Felipe da Silva, proprietário da W.F. da Silva Treinamentos.

Entre as acusações, o Ministério Público afirmou que a empresa de Willian pagou R$ 41,2 mil a uma mãe de santo por um serviço de "amarração espiritual" que teria sido encomendado por Juliana.

Segundo a denúncia, o objetivo seria afastar Lauro da esposa para que Juliana estabelecesse uma relação afetiva com ele.

Vice-prefeita é denunciada por usar verba pública para contratar mãe de santo

As advogadas Raisa Lara Onha e Rosana Lara, que representam Juliana e Willian no caso, afirmaram que a vice-prefeita afastada foi vítima de extorsão. Segundo a defesa, a mãe de santo cobrava dinheiro para não expor um suposto relacionamento, que, de acordo com as advogadas, não existiu.

As defensoras também disseram que o pagamento da prefeitura à W.F. ocorreu por serviços efetivamente prestados. Depois de tomar conhecimento da situação, segundo elas, Willian teria feito, por iniciativa própria, o pagamento a uma pessoa ligada à mãe de santo para ajudar Juliana.

Juliana morreu após sofrer um acidente de carro na manhã de sábado (26), enquanto seguia para uma ação de campanha eleitoral de uma candidata a deputada estadual. Além dela, outras três mulheres estavam no veículo.

A auxiliar administrativa Lara Monique Coutinho, de 25 anos, é uma das sobreviventes. Ao g1, ela disse que o veículo apresentou uma falha nos freios na Curva do Arroz, na estrada que liga o Bairro Saltinho, em Ribeira, ao Bairro Caraças, em Itaóca.

Lara estava no banco da frente, ao lado da vice-prefeita, que dirigia o veículo. Atrás, estavam a irmã dela e outra mulher, que Lara não conhecia. A jovem disse que o carro caiu em uma ribanceira de aproximadamente 50 metros e capotou durante a queda.

Acidente aconteceu na estrada que liga o Bairro Saltinho, em Ribeira, ao Bairro Caraças, em Itaóca.

Ainda segundo a auxiliar administrativa, o veículo só parou de capotar ao ficar preso em uma árvore e, segundo ela, Juliana foi arremessada para fora do carro. Inicialmente, a jovem também disse que as ocupantes estavam sem cinto de segurança.

Ao ouvir da vice-prefeita que o veículo estava sem freios, a jovem disse que colocou o cinto de segurança. "Agora vocês vão precisar confiar em mim", disse Juliana, segundo o relato de Lara.

Lara e a outra passageira sofreram ferimentos leves. A irmã da auxiliar administrativa deslocou a clavícula e machucou o braço. "Tirei ela de lá e fiz uma tipoia no braço dela com a minha jaqueta para manter o braço estável", relatou Lara.

Devido à dificuldade de acesso ao local, a irmã precisou ser retirada em uma maca com o auxílio de cordas. Juliana foi encontrada sem sinais vitais. Apesar de ter escapado com ferimentos leves, Lara disse que ainda não conseguiu processar o que aconteceu.

"Não consigo chorar, não consigo esboçar reação. Não consigo nada [...] Estou aliviada por ter ficado bem, por ter saído com vida [...] mas triste pela situação da Juliana", afirmou.

Lara Monique estava no banco do passageiro, ao lado de Juliana, que dirigia o carro

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