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Na lista da Interpol e condenado a 20 anos, holandês que fugiu de Bangu 8 trabalhava como 'faxina' e podia circular pelo presídio

Holandês que fugiu de Bangu 8 trabalhava como 'faxina' e podia circular pelo presídio

G1 — Brasil · 2026-09-28T11:09:35.000Z

Holandês que fugiu de Bangu 8 trabalhava como 'faxina' e podia circular pelo presídio

O holandês Gerel Lusiano Palm, considerado um preso de alta periculosidade e que chegou a fugir do Complexo de Bangu 8, na Zona Oeste do Rio, no sábado (26), estava classificado como "faxina" dentro da unidade prisional.

A classificação é dada a detentos autorizados a trabalhar no presídio e permite a circulação por diferentes áreas da unidade para o exercício das atividades.

Palm, que foi recapturado pouco depois da fuga, era procurado pela Interpol quando foi preso em 2021 no Brasil. Ele foi condenado a 20 anos de prisão na Holanda por tentativa de homicídio e porte ilegal de arma.

Segundo decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) negando recursos da defesa do holandês para que não seja extraditado (entenda abaixo), há a suspeita de que Palm tenha ligação com a facção Comando Vermelho (CV).

A Secretaria Estadual de Polícia Penal (Seppen) informou que o holandês foi classificado para trabalhar exclusivamente no interior da unidade prisional por cumprir os pré-requisitos previstos na Lei de Execução Penal.

A secretaria, no entanto, não detalhou quais critérios foram utilizados nem explicou de que forma o histórico criminal e o grau de periculosidade do preso foram considerados na decisão.

A Corregedoria vai investigar a tentativa de fuga.

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Holandês procurado por tráfico internacional de drogas foge de presídio de Bangu 8 no RJ

A fuga aconteceu apenas oito dias depois de o ministro Flávio Dino, do STF, determinar o prosseguimento imediato do processo para entregar Palm às autoridades holandesas.

O processo de extradição já havia sido autorizado pelo Supremo e transitou em julgado em 2023, quando não havia mais possibilidade de recursos contra a decisão.

No último dia 18 de setembro, oito dias antes da fuga, o ministro Flávio Dino negou mais uma tentativa da defesa de suspender a extradição e determinou o prosseguimento imediato dos procedimentos para a entrega do holandês aos Países Baixos.

Na decisão, Dino afirmou que a atuação do STF no processo já estava encerrada e que a execução da extradição deveria prosseguir.

O ministro também mencionou uma investigação da Polícia Federal sobre uma suposta articulação do Comando Vermelho para impedir a entrega de Palm às autoridades holandesas.

Segundo a decisão, a Operação Anomalia apurou indícios de que a organização criminosa teria atuado para interferir no processo de extradição.

A investigação também identificou suspeitas de pagamento de propina a um delegado da Polícia Federal. De acordo com o documento, a esposa de Palm teria participado de uma trama para obter auxílio do policial no pedido de refúgio apresentado pelo estrangeiro. O caso segue em investigação.

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Policial rendido e fuga com corda de lençóis

Presos subiram na guarita e desceram de “tereza”, uma corda improvisada.

Palm fugiu do Presídio Joaquim Ferreira de Souza, uma das unidades de Bangu 8, junto com o colombiano Juan Estebán Avendaño Perez.

A TV Globo apurou que os dois presos renderam um policial penal e o imobilizaram com um mata-leão — golpe em que o agressor envolve o pescoço da vítima com o braço para restringir sua respiração ou circulação sanguínea.

Presos subiram na guarita e desceram de “tereza”, uma corda improvisada.

Em seguida, a dupla chegou à guarita dos fundos da unidade e utilizou uma "tereza", nome dado a uma corda improvisada com lençóis, para ultrapassar o muro e alcançar a área externa do presídio.

Cinco carros ligados ao Comando Vermelho aguardavam os detentos do lado de fora para dar apoio à fuga. Os dois, no entanto, foram recapturados pouco depois, em uma área de mata, com o apoio de um helicóptero da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil.

Quem são os fugitivos

Holandês recapturado após fuga de Bangu 8

Gerel Palm foi preso pela Polícia Federal em julho de 2021, aos 38 anos, em um apartamento na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.

Na época, o nome dele constava na lista de Difusão Vermelha da Interpol, sistema usado para localizar pessoas procuradas pelas autoridades de diferentes países. Palm era procurado por uma tentativa de homicídio e porte ilegal de armas.

Ele também era procurado pelo DEA, órgão norte-americano responsável pela investigação de crimes relacionados ao tráfico internacional de drogas.

A prisão foi realizada por policiais federais do Núcleo de Cooperação Policial Internacional (Interpol/RJ), com apoio da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e do Centro de Cooperação Policial Internacional da PF no Rio.

A prisão de Palm no Brasil teve como base uma condenação da Justiça da Holanda. Em 14 de janeiro de 2021, o tribunal de Oost-Brabant condenou o holandês a 20 anos de prisão por tentativa de homicídio doloso e porte ilegal de arma de fogo.

Palm também respondia a outro processo por um homicídio ocorrido em 2015.

Após ser preso no Rio, ele foi levado para o sistema penitenciário fluminense, onde aguardava o processo de extradição para a Holanda.

Colombiano condenado por matar policial

Preso recapturado de Bangu 8

O colombiano Juan Estebán Avendaño Perez foi condenado a 40 anos de prisão na Colômbia pela morte do policial Juan Camilo, em 2010. Segundo as investigações colombianas, Juan Estebán devia cerca de 10 milhões de pesos colombianos ao agente e teria planejado o assassinato para evitar o pagamento.

Após o crime, que teve grande repercussão na Colômbia, ele fugiu para Santiago, no Chile, onde permaneceu até 2016. Naquele ano, passou a morar no Rio de Janeiro.

Em 2022, Juan Estéban foi preso na Muzema, na Zona Oeste.

Segundo as investigações das polícias Civil e Federal brasileiras, Juan Estebán seria integrante do Cartel de Medellín, organização ligada ao tráfico internacional de drogas, e atuaria como elo do grupo com traficantes brasileiros.

O colombiano Juan Estebán, suposto integrante do Cartel de Medellín, condenado a 40 anos de prisão e foragido desde 2010, foi preso nesta segunda-feira (12), na Muzema, na Zona Oeste.

O que dizem os citados

Em nota, a defesa de Gerel Lusiano Palm repudiou a determinação de sua extradição para a Holanda e classificou como desproporcional a prisão do holandês, que já dura cinco anos no Brasil. Os advogados negam qualquer ligação dele com o Comando Vermelho ou com organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas no Rio.

A defesa afirma ainda que Palm é casado com uma brasileira e pai de duas crianças, uma delas com uma grave malformação do sistema nervoso central, que necessita de cuidados médicos permanentes.

Segundo os advogados, a extradição não poderia ser executada enquanto estiverem pendentes os pedidos de asilo territorial e de reconhecimento da condição de refugiado. A defesa também sustenta que há uma determinação internacional para suspender a entrega de Palm à Holanda e questiona a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os advogados afirmaram que recorrerão às instâncias nacionais e internacionais para tentar impedir a extradição.

O g1 tenta contato com a defesa de Juan Estéban.

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