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A vida de volta a pedaço da Baía de Guanabara: manguezal degradado atrai mais de 70 espécies em 3 anos

Replantio recupera área degradada de manguezal em Guapimirim

G1 — Brasil · 2026-09-28T16:38:57.000Z

Replantio recupera área degradada de manguezal em Guapimirim

Onde antes havia um trecho degradado de manguezal, hoje crescem árvores de mais de 3 metros de altura, caranguejos voltaram a ocupar a lama e dezenas de espécies de aves e peixes passaram a frequentar a região. A transformação aconteceu em apenas três anos, em uma área da Baía de Guanabara, em Guapimirim, na Baixada Fluminense.

O resultado é fruto de um projeto de reflorestamento iniciado em 2023, que plantou 1.250 mudas de espécies nativas em uma área de aproximadamente 400 metros quadrados da Área de Proteção Ambiental (APA) de Guapimirim.

Segundo os responsáveis pelo projeto, mais de 70 espécies, entre pássaros e peixes, voltaram a frequentar as áreas recuperadas.

As mudas, que eram pequenas no início do trabalho, deram lugar a uma vegetação consolidada (veja na imagem abaixo as pequenas mudas recém-plantadas com as árvores já crescida ao lado).

Mudas plantadas em 2023 já passaram de 3 metros de altura

Para chegar ao local, é preciso navegar por cerca de 50 minutos pelos rios e canais que desembocam na Baía de Guanabara.

A recuperação foi realizada pelo Projeto Meros do Brasil, em parceria com a Cooperativa Manguezal Fluminense. Antes do plantio, voluntários participaram de mutirões para retirar espécies vegetais não nativas. Depois, foram introduzidas mudas de mangue-vermelho, mangue-preto e mangue-branco.

Para quem acompanhou a transformação desde o início, a mudança é motivo de comemoração.

"Mais de 70 espécies, entre pássaros e peixes, voltaram a frequentar essas áreas que estavam degradadas. E com isso nós trazemos restauração e qualidade de vida. Abre um leque muito maravilhoso para essa Baía de Guanabara tão sofrida, mas a gente está conseguindo mantê-la viva", afirmou Alaildo Malafaia, que participou do projeto desde o início.

De pequenas mudas a árvores de 3 metros

Caranguejos voltam a ocupar a lama do mangue

Luana Seixas, gerente do Projeto Meros do Brasil, lembra que as árvores plantadas em 2023 eram pequenas, semelhantes às mudas utilizadas atualmente em outras ações de reflorestamento.

"Hoje elas já estão com pouco mais de 3 metros de tamanho!", comemorou.

A volta dos caranguejos é outro sinal positivo. Esses animais desempenham um papel importante no funcionamento dos manguezais, ajudando a movimentar o solo e a reciclar matéria orgânica.

Além de abrigar diferentes espécies, os manguezais funcionam como berçários naturais de peixes e crustáceos. Também ajudam a proteger o litoral contra a erosão, reduzem os impactos de tempestades e armazenam carbono.

O sonho de ver baleias e meros novamente

Peixe mero pode medir 2,5 metros de comprimento e pesar até 400 kg

Projeto Meros do Brasil

A recuperação ambiental também tem importância econômica para quem vive da pesca e da coleta de caranguejos na região.

Segundo Malafaia, cerca de 2 milhões de caranguejos são extraídos anualmente do ecossistema, que sustenta e emprega cerca de 4 mil pessoas. Segundo ele, só de catadores de carangueiros, são 700 famílias sustentadas.

Pescador artesanal, ele conta que transformou a preservação ambiental em profissão. E agora alimenta um sonho ainda maior: ver espécies que desapareceram da região voltarem a frequentar a Baía de Guanabara.

"Que as baleias e os meros voltem. É um sonho possível. Sou pescador artesanal. Quando comecei a trabalhar com restauração e educação ambiental e falei para a minha esposa que eu ia viver disso, ela riu. E hoje eu vivo disso", contou.

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