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Médica assassinada no Paraná: marido recebe alta hospitalar e é levado à delegacia
G1 — Brasil · 2026-09-28T18:49:50.000Z
Médica assassinada no Paraná: marido recebe alta hospitalar e é levado à delegacia
Após matar a médica Gassi Mazia, de 37 anos, em Maringá, no Norte do Paraná, o advogado João Vitor Domingues Romeiro, de 25 anos, tomou banho, trocou de roupa e fugiu com o carro da vítima, segundo a denúncia do Ministério Público.
Gassi foi encontrada esfaqueada e morta no apartamento em que morava com o suspeito em 5 de setembro. O bebê do casal, de oito meses, foi deixado sozinho com o corpo da mãe. João foi preso em flagrante em Mandaguari, a 32 quilômetros de distância, com diversos ferimentos.
De acordo com o Ministério Público, João invadiu o imóvel e "executou covardemente" Gassi porque não aceitava o fim do relacionamento. O laudo da perícia aponta que a médica foi esganada pelo suspeito e morreu por hemorragia aguda depois de receber 14 facadas.
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A denúncia contra João foi oferecida pelo Ministério Público neste domingo (27). Ele deve responder pelo crime de feminicídio por motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
O advogado também foi denunciado pelo crime de abandono de incapaz, por ter deixado a criança sozinha no local do crime.
O MP aponta que, após matar Gassi, ele trancou a residência, deixando a criança exposta ao perigo. O bebê foi resgatado horas depois por um parente da vítima, que precisou arrombar a porta de entrada do apartamento ao ouvir o choro ininterrupto da criança.
O g1 entrou em contato com a defesa de João, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem.
Ele permaneceu internado em um hospital até receber alta, no dia 10 de setembro, quando foi encaminhado à 9ª Subdivisão Policial e chegou usando uma cueca para esconder o rosto. Assista acima.
Gassi Mazia, de 37 anos, e João Romeiro, de 25.
O que se sabe sobre o caso:
Como o caso chegou à polícia
Como o corpo foi encontrado
Qual foi a motivação
Como o caso chegou à polícia
O assassinato da médica foi comunicado à Polícia Militar (PM-PR) por uma familiar de João Vitor, que o ouviu confessar ter cometido o feminicídio. O g1 optou por não divulgar o nome para preservar a identidade da testemunha.
Em depoimento à Polícia Civil, a testemunha explicou que, na noite do dia 5 de setembro, João enviou mensagens perguntando se ela estava em Mandaguari, a 32 quilômetros de distância de Maringá. Depois, ligou para a familiar e pediu o endereço da casa dela. Até então, ninguém sabia da morte da médica. Abaixo, ouça o depoimento:
Assassinato de médica no Paraná: marido confessou crime à familiar
Ao chegar, ele estacionou o carro no pátio do imóvel e, ainda dentro do veículo, disse à mulher que havia assassinado Gassi.
"Ele falou para mim que ele e a Gassi tinham brigado e que ele tinha matado ela", contou a testemunha em depoimento à polícia.
Ao saber do caso, a família acionou a PM e chamou o Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate), porque João estava com ferimentos na região do pescoço.
Após a chegada da PM, o marido recebeu voz de prisão em flagrante pelo crime de feminicídio e foi internado em um hospital, sob escolta policial.
Carro em que João Romeiro foi encontrado ferido.
Como o corpo foi encontrado
Após a PM de Mandaguari prender João Vitor em flagrante, a corporação de Maringá foi até o apartamento onde Gassi morava. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) já estava no local e havia confirmado a morte da mulher.
O corpo dela havia sido encontrado, primeiro, por outro familiar que soube do assassinato e foi ao endereço. Foi ele também que encontrou o filho de oito meses do casal, deixado sozinho no imóvel onde o crime aconteceu.
Conforme o boletim de ocorrência, Gassi estava caída e de bruços. Havia três facas ao lado do corpo da médica. O delegado Adriano Garcia informou que a vítima aparentava ter aproximadamente 10 marcas de golpes.
O sepultamento dela aconteceu na manhã do dia 7 de setembro.
Qual foi a motivação
Até a última atualização desta reportagem, a investigação inicial mostrou que João não aceitava o fim do relacionamento com Gassi e cometeu o feminicídio.
A informação está na manifestação do Ministério Público (MP-PR), que solicitou que a prisão em flagrante de João fosse convertida em preventiva. O pedido foi aceito pela Justiça no domingo (6).
Segundo o MP, João invadiu o imóvel e "executou covardemente" Gassi. Há a suspeita de que ele tenha passado algumas horas com o corpo da vítima no local, antes de sair do apartamento e deixar o filho de oito meses sozinho.
"A gravidade concreta do crime perpetrado por João Vitor Domingues Romeiro transborda os limites da barbárie ordinária. De acordo com o apurado restou preliminarmente identificado que o autuado, por não aceitar o término do relacionamento com sua ex-companheira, invadiu o apartamento desta e a executou covardemente. Mais do que o ato em si, a frieza e a crueldade demonstradas na execução do crime chocam e justificam a prisão preventiva", diz a manifestação.
A manifestação do MP é baseada nos depoimentos colhidos dos policiais militares que atenderam à ocorrência e nas informações prestadas pelas testemunhas.
A Polícia Civil (PC-PR) não divulgou oficialmente a motivação do crime. O delegado Adriano Garcia informou apenas que João tentava reatar o relacionamento com Gassi.
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