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Globo Repórter: Gerações - 25.09.2026
G1 — Brasil · 2026-09-29T05:00:00.000Z
Globo Repórter: Gerações - 25.09.2026
As diferenças entre jovens e seus pais costumam parecer maiores do que realmente são, mas têm explicações que vão além da personalidade de cada um. Especialistas ouvidos pelo Globo Repórter apontam que cada geração é moldada pelas condições sociais, econômicas, tecnológicas e culturais do período em que viveu.
Segundo a psicóloga Paloma Garcia, o contraste entre gerações faz parte do próprio processo de construção da identidade dos jovens.
“A geração atual sempre vem para contestar a geração anterior. Isso faz parte da adolescência, faz parte dos jovens. Os jovens buscam encontrar sua própria identidade e a gente encontra essa identidade contestando nossos pais”, afirma.
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As mudanças históricas ajudam a explicar essas diferenças. A chamada geração Baby Boomer cresceu em um contexto marcado por estabilidade familiar e normas sociais mais rígidas. Já a geração X enfrentou crises econômicas e buscou maior segurança financeira. Os millennials cresceram durante a expansão da internet e do acesso ao ensino superior. A geração Z, por sua vez, nasceu no ambiente digital e teve a adolescência impactada pela pandemia.
Para o economista Daniel Duque, a pandemia acelerou transformações que já estavam em curso, especialmente na relação dos jovens com a tecnologia, o trabalho e a comunicação.
“Os jovens que já tinham mais acesso à tecnologia ficaram muito mais mergulhados nesse tipo de comunicação e também de entretenimento pessoal do que as gerações anteriores”, diz.
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As diferenças aparecem também nas escolhas de vida. Enquanto gerações mais antigas costumavam seguir um roteiro mais previsível, com casamento, filhos e carreira estável, os mais jovens convivem com uma quantidade muito maior de possibilidades e incertezas.
O economista Michel França afirma que, no passado, havia uma espécie de “cartilha” sobre o que era esperado dos adultos.
“Na geração anterior, havia mais um script sobre o que seguir: casar até determinada idade, ter filhos, comprar uma casa própria”, explica.
Outro fator apontado pelos pesquisadores é o impacto das redes sociais. A comparação constante com outras pessoas aumenta a pressão sobre os jovens, que têm acesso a referências do mundo inteiro e não apenas ao círculo social mais próximo.
Além dos comportamentos, as diferenças aparecem na linguagem. As gírias mudam mais rapidamente do que no passado e funcionam como uma forma de identificação entre grupos de jovens. Quando passam a ser adotadas pelos adultos, muitas vezes perdem a função original.
Para Paloma Garcia, essas expressões funcionam como uma “senha” de pertencimento.
“As gírias de hoje pertencem aos adolescentes. Quando a outra geração, os pais, começam a usar essa gíria, ela deixa de fazer sentido”, afirma.
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Apesar dos conflitos, os especialistas destacam que as diferenças não significam rompimento. As gerações se influenciam mutuamente e compartilham aprendizados. Como resume uma das entrevistadas da reportagem, os conflitos existem, mas podem ser superados por meio da adaptação, do diálogo e do respeito às experiências de cada época.
Em resumo: jovens e pais pensam de forma diferente porque cresceram em realidades distintas. Mudanças econômicas, transformações sociais, avanços tecnológicos e novas formas de comunicação moldam prioridades, valores e comportamentos de cada geração.
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