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Bota um meia, Ancelotti!

Austrália 2 x 4 Brasil | Melhores momentos | Amistoso Internacional 2026

ge — Futebol · 2026-09-29T12:49:32.000Z

Austrália 2 x 4 Brasil | Melhores momentos | Amistoso Internacional 2026

“Bota ponta, Telê!”, gritava o Zé da Galera, icônico personagem de Jô Soares lá nos anos oitenta. Mais de quatro décadas depois, convém pedir outra coisa: “Bota um meia, Ancelotti!”.

Nesta terça-feira, a Seleção voltou a enfrentar a Austrália, desta vez com um esquema de três meio-campistas, em substituição à estratégia de quatro atacantes utilizada na sexta-feira anterior. O resultado (vitória por 4 a 2) e a atuação foram melhores.

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A indefinição sobre o sistema tático acompanha a Seleção há tempos, desde antes da chegada de Carleto – uma dúvida que reforça a sensação de que andamos em círculos. Vivemos no pós-Copa os mesmos dilemas do pré-Copa, como se o Mundial não tivesse nos ensinado nada. Lemos manchetes repetidas, assistimos a debates desgastados, nos perguntamos o que temos nos perguntado sistematicamente, ano após ano.

E o esquema tático é o maior exemplo desse eterno retorno. Nesta terça, a principal novidade foi a entrada de Gabriel Bontempo no meio. O jogador do Santos não fez uma partida excepcional, mas ajudou a deixar o time mais consistente. Nos primeiros 25 minutos de jogo e em boa parte do segundo tempo (aí com Andrey Santos no lugar de Bontempo), o Brasil conseguiu aproximar os setores. Consequentemente, esteve mais equilibrado.

Jogadores do Brasil comemoram gol em Brasil x Austrália

Rafael Ribeiro / CBF

Ancelotti tem seus motivos para ainda testar a formação com quatro atacantes. O cardápio de jogadores de frente é muito mais atrativo do que a oferta de meias. Os resultados antes da Copa foram melhores quando ele utilizou um quarteto ofensivo. E, bom, o sistema usado no Mundial teve três meias – e nos levou apenas às oitavas de final.

Mas a Seleção não se sustenta com quatro atacantes. Nenhum dos avantes conseguiu preencher o vazio da ausência de um meia de aproximação, posto que agora Ancelotti tenta ocupar com jogadores como Bontempo e Breno Bidon. Alguns tentaram (Raphinha, Rodrygo, Matheus Cunha), mas não funcionou.

Com quatro atacantes, o Brasil entrega o meio ao adversário, como aconteceu de forma mais clara na goleada de 4 a 1 para a Argentina, a partida que resultou na demissão de Dorival Júnior no ano passado. A dinâmica do time derrete: os zagueiros têm menos opções de saída, os laterais perdem alternativas para a construção de jogadas, os atacantes ficam isolados. E aí até equipes fracas, como mostrou a Austrália no empate por 1 a 1 de sexta-feira, conseguem encontrar espaços para agredir a área brasileira.

Técnico Carlo Ancelotti orienta a Seleção em amistoso contra a Austrália

Albert Perez/Getty Images

Talvez a maior missão de Ancelotti neste início de ciclo seja encontrar alternativas confiáveis para jogar com pelo menos três meias. Se nos falta aquele articulador clássico, se concluímos que Lucas Paquetá não será esse jogador, um caminho é testar Bruno Guimarães (como aconteceu após a entrada de Andrey Santos nesta terça) ou Danilo mais avançados.

Isso não significa descartar a estratégia de quatro atacantes. Ela pode ser usada em momentos pontuais. Mas a Seleção não tem hoje uma estrutura de jogo que permita o luxo de uma formação tão ofensiva. Aí não tem jeito: bota um meia, Ancelotti!

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