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Maravilha elogia Lorena e Lelê e afirma: "Seleção está bem servida de goleiras"
ge — Futebol · 2026-09-29T19:13:11.000Z
Maravilha elogia Lorena e Lelê e afirma: "Seleção está bem servida de goleiras"
A posição de goleira ganha cada vez maior protagonismo no futebol feminino, exemplificado na indicação de Lorena ao prêmio de melhor jogadora do mundo e nas recentes atuações decisivas no Brasileirão. A evolução debaixo das metas é acompanhada de perto pela ex-goleira do Brasil, Marlisa Wahlbrink, mais conhecida como Maravilha. Ela elogiou o momento de Lorena, mas chamou atenção sobre a preparação das atletas da posição e pediu mais "protagonismo".
Goleira Maravilha defende protagonismo e personalidade no gol
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Personagem do terceiro episódio da série de videocast do ge RS sobre a Copa do Mundo Feminina, Maravilha relembrou o início da carreira, as mudanças nos treinamentos de goleiro e a expectativa para o Mundial sediado no Brasil, em 2027.
– Acompanho a Lorena desde a época do Grêmio. Ela teve uma evolução gigantesca. Comentava com uma médica do clube que ela tinha algumas deficiências e quando foi jogar nos Estados Unidos e eu retornava à seleção, via uma evolução muito grande. A Lelê (Corinthians) também é uma grande atleta. De goleiras, estamos muito bem servidas – destacou Maravilha, em conversa antes da indicação de Lorena à Bola de Ouro.
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A goleira foi convocada pelo técnico Arthur Elias para os jogos amistosos da Seleção, em outubro. Desta vez, Lelê ficou fora da lista e a novidade foram as arqueiras Yanne, do Bahia, e Carlinha, do São Paulo.
– O Brasil sempre foi candidato a título. Temos uma qualidade técnica muito grande e a questão física está bem aprimorada. Podemos competir de igual para igual. Onde precisamos melhorar é na parte mental, fator preponderante e que será decisivo – completou.
Marlisa "Maravilha" conquistou o Sul-Americano Sub-17 em 2024
Arquivo pessoal/Marlisa Wahlbrink
Do ataque para o gol
Maravilha vestiu a amarelinha na Copa do Mundo de 1999 e participou dos Jogos Olímpicos de 2000 e 2004, quando foi medalhista de prata. Em 2019, se tornou a primeira mulher preparadora de goleiras da seleção brasileira por sub-15 e sub-17 – cargo que ocupou por quatro anos.
Gaúcha de Constantina, se mudou ainda nova para Maravilha, cidade no oeste catarinense – que inspirou o apelido – onde reside até hoje e se dedica a projetos de treinamento de goleiros. Maravilha estreou nos gramados pelo Cruzeiro-RS, como atacante. Mas sem conseguir cumprir as exigências físicas, encontrou no gol a posição para realizar o sonho.
– Eu amava jogar futebol, trabalhava tanto para o meu pai nunca me dizer não. Com 21 anos, falei para ele que queria fazer um teste de futebol em Porto Alegre. Ele disse "se você sair, você não pode mais voltar". E aí saí de casa.
– O futebol era para mim a condição de mudar de vida, mas tinham meninas, que por outras dificuldades, diziam que o futebol feminino nunca daria em nada. Mas eu não podia acreditar naquilo, porque eu saí de casa para vencer, não poderia voltar derrotada.
Maravilha teve seu primeiro registro profissional defendendo o Saad, em 1994
Treinos pensados para o goleiro
Maravilha foi convocada pela primeira vez em 1995, mas acabou cortada da Copa do Mundo. Estreou no Mundial de 1999 e participou da fase de profissionalização da modalidade, bem como do início de treinamentos específicos para goleiros.
– Peguei um divisor de águas em termos do treinamento de goleiro. À época os treinadores davam 10 repetições para tudo, era desgastante. Tinha trauma de aquecer para o jogo, não via a hora de passar, pois não estava sendo prazeroso. (Na Seleção) Fui entendendo que não é a carga, mas a qualidade dos movimentos, algo que priorizo muito como treinadora de goleiras.
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Videocast ge RS - Especial Copa do Mundo Feminina | EP 3: Goleira Maravilha
Para Maravilha, a preparação específica foi essencial na evolução da posição. Além de aprimorar gestos técnicos com as mãos, houve uma preocupação no desenvolvimento do jogo com os pés e de tornar o goleiro mais participativo em campo. A ex-arqueira, contudo, fez ressalvas.
– Estamos vivendo uma transição muito grande no treinamento de goleiros no Brasil, masculino e feminino. E muitas coisas não concordo, acho que perdemos qualidade técnica.
Criamos goleiros para rebater bola e não para definir, assumir o jogo, ter personalidade e ser protagonista.
– Talvez não tenha certo ou errado. Hoje, vejo alguns treinos e não gosto, principalmente, do espacate (movimento de abrir as pernas). O goleiro vira o rosto, não encara a bola, não é o protagonista. Você perde oportunidades de ter o controle do gesto, de passar a responsabilidade para o atacante – acrescentou.
Maravilha em ação como preparadora de goleiras
Laura Zago / CBF
Além da Seleção, Maravilha defendeu Palmeiras, São Paulo, Corinthians e Grêmio. Encerrou a carreira no Saad, em 2009, devido ao desejo de se tornar mãe. Em 2019, recebeu o convite da CBF para assumir a preparação de goleiras da seleção nas categorias Sub-15 e Sub-17.
"A trave está excelente"
Na função de técnica, diz não haver diferença no treinamento masculino e feminino, mas que os resultados são proporcionais ao gênero, visto às diferenças fisiológicas. Ela acredita, no entanto, que é possível minimizá-las a partir do maior suporte tecnológico e variedade de profissionais no futebol feminino.
– A gente nunca pôde assistir ao nosso treino, então não tinha como corrigir. Fui ter fisiologista em 2004, nas Olimpíadas de Atenas, mudei meus comportamentos por causa de algumas explicações. Então você imagina as novas gerações, que já tem fisiologista com 14, 15 anos, o quanto podem evoluir.
Marlisa "Maravilha" na preparação de goleiras na Seleção Brasileira
Para realizar o sonho do futebol, Maravilha precisou fechar os ouvidos a críticas e comparações com atletas masculinos. Não uma, nem duas vezes acompanhou debates a respeito de diminuir as dimensões do campo e também das traves em jogos de mulheres. Para a ex-goleira, a equidade passa pela qualificação das profissionais.
– Isso nos acompanha há muito tempo e nunca gostamos, porque a trave está excelente, a gente treina para ser melhor, a gente se posiciona melhor para poder encurtar o caminho. Vamos criando formas de nos sobressairmos em relação à explosão, que não é igual a do masculino, mas podemos surpreender de outras forma. O gol é uma coisa atrativa no jogo, deixa que tenha gols e deixa a gente se desafiar para chegar na bola – finalizou.