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Suspeito de aplicar golpes milionários e usar até bets para ocultar dinheiro é condenado a 12 anos de prisão em Vitória

Tarlan Moura Lyra foi condenado por movimentar mais de R$ 115 milhões após aplicar golpes

G1 — Brasil · 2026-09-29T20:13:09.000Z

Tarlan Moura Lyra foi condenado por movimentar mais de R$ 115 milhões após aplicar golpes

Um morador de Jardim Camburi, em Vitória, foi condenado a 12 anos e 6 meses de prisão por cinco crimes de estelionato. Segundo a Justiça, Tarlan Moura Lyra, de 41 anos, aplicou golpes que causaram prejuízo de R$ 2,311 milhões a cinco vítimas.

A sentença determina que ele cumpra a pena inicialmente em regime fechado e pague o mesmo valor do prejuízo causado às vítimas, além de 700 dias-multa e das custas processuais. O juiz também negou ao réu o direito de recorrer em liberdade e manteve a prisão preventiva.

Segundo a decisão, os crimes aconteceram entre 2023 e 2025. Tarlan teria atraído as vítimas com propostas de investimentos para a compra e revenda de iPhones, MacBooks e Apple Watches. Os retornos prometidos variavam de 6% a 12,5% em períodos curtos.

De acordo com a sentença, no início, alguns pagamentos eram feitos aos investidores, o que teria aumentado a confiança no negócio. Quando os valores investidos ficaram maiores, porém, os pagamentos teriam sido interrompidos.

A investigação apontou ainda que o dinheiro recebido era pulverizado por meio de saques e transferências e direcionado para plataformas de apostas esportivas.

Um Relatório de Inteligência Financeira citado na sentença identificou R$ 115,6 milhões em movimentações nas contas de Tarlan entre agosto de 2022 e setembro de 2025.

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Cinco crimes de estelionato

O juiz considerou comprovados cinco crimes de estelionato e decidiu que eles deveriam ser tratados separadamente. Com isso, as penas de cada crime foram somadas.

A decisão também considerou a forma de atuação de Tarlan, incluindo o uso de relações de amizade e confiança para conquistar as vítimas, além dos prejuízos provocados.

Em um dos casos, segundo a sentença, o prejuízo ultrapassou R$ 1,2 milhão. Somados os valores atribuídos às cinco vítimas, o dano chegou a R$ 2,311 milhões.

Tarlan já estava preso preventivamente. Em janeiro deste ano, quando era procurado pela Justiça, policiais militares foram até a casa dele, em Jardim Camburi, para cumprir o mandado de prisão, mas encontraram apenas os pais do investigado.

Na ocasião, os pais disseram aos policiais que Tarlan havia se mudado para São Paulo.

Durante as buscas no imóvel, os militares localizaram uma pistola.

A investigação apontou ainda que, mesmo depois de deixar de pagar valores devidos, Tarlan teria continuado a solicitar novos aportes financeiros.

Em março, após permanecer foragido desde janeiro, ele se apresentou no Fórum Criminal de Vitória e foi preso.

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Defesa alegou sociedade

Durante a investigação, a defesa sustentou que as vítimas eram sócias e parceiras de Tarlan em operações de compra e venda de produtos eletrônicos.

Na época da prisão, o advogado Nelson Moreira Júnior afirmou que havia documentos que comprovariam que as pessoas envolvidas haviam recebido lucros com as operações. A defesa também alegou que Tarlan e familiares teriam sido vítimas de ameaças e extorsões e que, por isso, ele precisou deixar Vitória.

Na sentença, porém, o juiz rejeitou a tese de que o caso seria apenas um inadimplemento de negócio civil. Para o magistrado, as provas reunidas demonstraram a existência de fraude desde a captação dos valores.

Entre os elementos considerados na decisão estão comprovantes de transferências bancárias, conversas entre Tarlan e as vítimas, atas notariais, boletins de ocorrência, depoimentos e o Relatório de Inteligência Financeira.

O advogado Nelson Moreira Júnior informou que a defesa vai recorrer da condenação.

"Discordamos totalmente do conteúdo da sentença e inclusive importamos embargos de declaração. A sentença não demonstra em momento algum a localização de valores em espécie nas contas do Tarlan e nem levou em conta que a relação comercial entre Tarlan e os acusados perdurou por quase três anos", explicou.

Valor deverá ser pago às vítimas

A sentença determinou que Tarlan pague R$ 2,311 milhões como reparação mínima pelos prejuízos atribuídos às cinco vítimas.

O valor será acrescido de juros de 1% ao mês desde a citação e de correção monetária a partir da data dos prejuízos.

A condenação é de primeiro grau. A sentença determina que Tarlan permaneça preso enquanto houver recurso.

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