ITATIBA1

Tarcísio e Haddad nacionalizam debate em SP com ataques sobre infiltração do PCC e CV, saúde e governos Lula e Bolsonaro

Os candidatos Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) no estúdio da TV Globo para participar do debate entre candidatos ao governo de São Paulo

G1 — Brasil · 2026-09-30T03:10:48.000Z

Os candidatos Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) no estúdio da TV Globo para participar do debate entre candidatos ao governo de São Paulo

Os candidatos ao governo de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) fizeram nesta terça-feira (29), na TV Globo, o último debate do 1º turno, em um encontro nacionalizado, pautado por enfrentamentos baseados em dados e ataques sobre impactos das gestões Bolsonaro e Lula no Brasil.

Em um primeiro turno sem nenhum outro candidato com representatividade no Congresso Nacional, os dois chegam à reta final da campanha concentrando as atenções e disputando a liderança na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes.

Os temas mais presentes na campanha, como a privatização da Sabesp, os resultados da Educação paulista, as concessões no setor do transporte e os números do feminicídio voltaram à tona. A Prefeitura de São Paulo e seus contratos também apareceram na fala de Haddad, e os pedidos de recuperação judicial de empresas durante o governo Lula, na fala de Tarcísio.

No início do debate, os candidatos discutiram segurança pública, tema que mais preocupa os eleitores de São Paulo, segundo as pesquisas. Eles divergiram e fizeram críticas a supostas alianças com pessoas suspeitas de envolvimento com o PCC, como o ex-vereador Milton Leite (União Brasil), preso neste mês, no caso de Tarcísio, e o vereador Senival Moura (PT), no caso de Haddad.

Enquanto o petista falou sobre a entrada do Comando Vermelho no interior do estado e a infiltração do PCC em instituições públicas e privadas, o governador rebateu citando indicadores criminais que caíram nos últimos anos.

Haddad também citou problemas na segurança, como a alta dos casos de feminicídio e os roubos e furtos de celulares na capital.

"Nós estamos batendo recorde de feminicídio no estado de São Paulo. Recorde de crimes de natureza racial, recorde de intolerância com a comunidade LGBT. De cada 10 celulares roubados, no Brasil, três são roubados no estado de São Paulo; dois são roubados na cidade de São Paulo, e você está falando que tudo está melhorando. O crime organizado. O PCC se infiltrando nas instituições. Você teve que afastar o comandante que você nomeou."

Tarcísio, por sua vez, disse que a violência contra a mulher não é exclusividade de São Paulo.

"É uma questão nacional está acontecendo em todo o Brasil. Infiltração do crime tem em todo lugar. Vamos lembrar e a gente está combatendo, a gente está punindo, a gente está aprendendo. Vamos lembrar que recentemente um vereador do PT foi preso para a associação crime por lavar dinheiro numa empresa de ônibus. Isso não está ficando encoberto.

Convidados de Haddad e Tarcísio acompanharam o debate no estúdio da Globo.

Do lado de Tarcísio, estavam André do Prado (PL), presidente da Alesp; Ricardo Salles (Novo), deputado federal; Felício Ramuth (PSD), vice-governador de São Paulo; Guilherme Derrite (PP), deputado federal; Baleia Rossi (MDB), deputado federal; Ricardo Nunes (MDB), prefeito de São Paulo; Edson Aparecido (MDB), secretário de governo da Prefeitura de São Paulo; e Guilherme Afif Domingos (PSD), secretário estadual de Projetos Estratégicos.

Antes do debate, Derrite conversava com Salles em uma roda. André do Prado, que estava próximo, se afastou quando Salles se aproximou do grupo. A cena ocorre um dia depois de Salles desistir da candidatura ao Senado e declarar apoio justamente a André do Prado e Guilherme Derrite.

A aproximação marca uma mudança na relação entre Salles e Prado, que protagonizaram alguns dos principais embates entre candidatos da direita durante a campanha. Salles chegou a acusar Prado de dividir o eleitorado conservador e, em debates e entrevistas, questionou sua atuação política e suas alianças. Em setembro, o TRE-SP também determinou a retirada de vídeos publicados por Salles contra Prado por considerar falsas acusações feitas pelo candidato do Novo.

Depois, na plateia, André e Salles só tiveram Derrite entre eles.

Entre os aliados de Haddad estavam Marina Silva (Rede), deputada federal e candidata ao Senado; Simone Tebet (MDB), ministra do Planejamento e candidata ao Senado; Márcio França (PSB), candidato a vice na chapa de Haddad; Edinho Silva (PT), presidente nacional do partido; e Marco Aurélio Carvalho (PT), coordenador da campanha em São Paulo.

O candidato Derrite entre André do Prado e Salles, que durante a campanha divergiram e disputaram votos

Debate em SP: Tarcísio (Republicanos) pergunta a Haddad (PT) sobre segurança hídrica

Ainda no primeiro bloco, Tarcísio escolheu o tema saúde e a região da Baixada Santista. Haddad usou a discussão sobre a saúde na Baixada Santista para mencionar filas que, segundo ele, foram herdadas pelo governo Lula (PT) da gestão de Jair Bolsonaro (PL) durante a pandemia.

"Com a gestão da pandemia que vocês fizeram lá em Brasília no governo Bolsonaro. Você tem ideia do estoque de procedimentos represados ​​por causa da pior gestão do mundo de uma pandemia que aconteceu aqui? 2,7% da população 10% de mortes por Covid no mundo."

Tarcísio, por sua vez, recorreu ao mesmo tema para relacionar os atrasos na entrega da Linha 6-Laranja do metrô à Lava Jato. Uma das estações da linha está sendo construída em um terreno onde, em 2012, havia planos para a construção de um hospital.

O candidato à reeleição também cutucou Haddad quando prefeito da capital paulista. "A gente sabe que os prefeitos não vão dar conta e quando um hospital não tem custeio, ele acaba operando abaixo da capacidade. Isso estava acontecendo em vários hospitais municipais do estado de São Paulo Não foi por outra razão que a gente estendeu a tabela SUS Paulista, que é recurso do Tesouro do estado de São Paulo, Tesouro estadual. A gente está aportando R$ 10 bilhões por ano para garantir que os hospitais municipais vão funcionar, porque aí a gente dá previsibilidade com isso. A gente aumenta a ocupação. A gente consegue trabalhar. com os hospitais por mais tempo."

No bloco de tema livre, Tarcísio falou sobre problema de grandes empresas do varejo sobre recuperação judicial e pergunta se aconselha um ajuste fiscal no momento. "A gente está tendo um problema no crédito. As empresas estão tendo dificuldades de securitizar as suas dívidas, estão encurtando suas operações de crédito, estão quebrando, estão entrando em recuperação judicial. O que que você tem a falar para os pais de família que estão perdendo seus empregos? Qual é a justificativa? E a pergunta que eu faço é: você acha que o Brasil precisa de ajuste fiscal? Você acha que o Brasil precisa de ajuste de rota?"

Haddad disse que assumiu a Fazenda após a saída de Paulo Guedes com um déficit. "Você esteve na minha sala em fevereiro de 2023, cobrando o calote que o Bolsonaro deu no Doria e eu paguei, ao contrário do que o Bolsonaro e o Guedes fizeram. Eu fui lá e paguei porque eu não te discriminei. Eu não deixei você ter que ter uma sentença do Supremo antes de sentença. Eu fui lá, fiz o acordo, falei que era justo e paguei os precatórios."

Tarcísio abriu o terceiro bloco apresentando seus projetos na área. Citou o Rodoanel Norte e linhas de metrô. "Entregamos no final do ano passado os primeiros 24 km. Estamos com uns 20 km em obra agora finalzinho do ano a gente está entregando essa obra completa desde lá da Via Dutra. Concluímos a obra da Copa da Linha 17, que a partir de amanhã começa a funcionar no horário estendido. (...) Estamos fazendo a linha 6, que vai atender a Brasilândia. Já estamos operando em caráter de teste da João Paulo primeiro até perdiz no final do ano, a gente começa a operar da Brasilândia até perdiz no ano que vem da Brasilândia até São Joaquim"

Haddad propôs o Bilhete Integrado. "Meu sonho aqui na região metropolitana, não só de São Paulo, é o Bilhete Integrado. Nós precisamos integrar o bilhete do mesmo jeito que nós fizemos na gestão da Marta, o Bilhete Único que depois eu fiz o Bilhete Único mensal e o semanal, que eu dei o passe livre para o estudante e pro idoso a partir de 60 anos. Nós precisamos considerar quem mora longe de São Paulo, na região metropolitana e tem que pegar dois ou três condições para chegar no trabalho. Meu sonho é colocar todo esse cronograma de obras para rodar, mas fazer a integração do bilhete Único Metropolitano em São Paulo e nas demais regiões metropolitanas do estado."

Haddad afirmou haver uma "privatização desenfreada de tudo em São Paulo". "É serviço funerário, é parque, é trem, é tudo, Sabesp, que está dando a maior confusão no Procon, aumentou a conta de água enquanto devia baixar, prometeu baixar e não baixou. Está dando uma grande confusão. Esse programa de privatizações e sobretudo nos trens também está nos jornais. Depois da privatização aumentou 27% as falhas."

No quarto e último bloco, de tema livre, Haddad e Tarcísio também divergiram sobre recursos hídricos. O petista criticou problemas de abastecimento e qualidade da água na Baixada Santista e questionou a privatização da Sabesp. Tarcísio listou obras de reservatórios, barragens e desassoreamento de rios.

Na discussão sobre a Sabesp, Haddad criticou problemas recentes de abastecimento e qualidade da água e questionou a privatização da empresa, citando a promessa de redução da conta de água. Tarcísio rebateu dizendo que não houve problema de potabilidade e que a orientação sobre o consumo de água na Baixada Santista ocorreu por causa da turbidez provocada pelas chuvas. O governador também defendeu que a privatização ampliou a capacidade de investimento da empresa e citou avanços na coleta e no tratamento de esgoto.

Depois, o petista levou a discussão sobre a revisão dos contratos com as empresas em concessões feitas pelo estado. Tarcísio voltou para o Rio Tietê, disse que a mancha de poluição diminuiu e ironizou que Haddad, ex-ministro da Fazenda, não sabe de matemática.

Regras do debate

Foram convidados os candidatos de partidos e federações com representação mínima de cinco parlamentares no Congresso Nacional. A mediação foi feita pelo jornalista Alan Severiano, e o encontro foi transmitido ao vivo pela TV Globo, direto dos estúdios da Globo na capital paulista.

O encontro foi dividido em quatro blocos e teve como base perguntas feitas entre os próprios candidatos.

O primeiro e o terceiro blocos foram dedicados a temas determinados, com 20 minutos de duração cada, sendo 10 minutos para a discussão de cada tema. Nesses blocos, cada candidato escolheu um tema entre os seis previamente definidos pelo jornalismo da Globo e que foram exibidos em um telão.

Em seguida, foi selecionada uma das regiões metropolitanas do estado. A questão proposta ao adversário deveria estar relacionada tanto ao tema quanto à região escolhidos. Cada candidato teve 6 minutos por tema e pôde administrar seu tempo livremente.

O segundo e o quarto blocos tiveram tema livre, com 20 minutos de duração cada um. Em cada um deles, os candidatos tiveram 10 minutos para conduzir o debate e gerenciar o próprio tempo. O candidato sorteado para iniciar o segundo bloco foi o segundo a perguntar no quarto bloco. Ao final do quarto bloco, os candidatos apresentaram suas considerações finais.

Leia no Itatiba1 →