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Os candidatos ao governo de SP Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) chegam à TV Globo para o debate
G1 — Brasil · 2026-09-30T04:41:48.000Z
Os candidatos ao governo de SP Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) chegam à TV Globo para o debate
Ao término do debate da Globo nesta terça-feira (29), os candidatos ao governo de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) concederam entrevistas coletivas a jornalistas.
Eles fizeram um balanço do debate e responderam a perguntas sobre temas discutidos ao longo da noite e propostas para um eventual próximo mandato.
Tarcísio e Haddad nacionalizam debate em SP com ataques sobre infiltração do PCC e CV, saúde e governos Lula e Bolsonaro
Veja o que disseram:
Tarcísio de Freitas
Questionado sobre como enfrentar a infiltração do crime organizado nas estruturas do estado, Tarcísio disse que pretende ampliar os investimentos em inteligência e tecnologia. Segundo ele, o governo deve usar investigação, mecanismos de controle e corregedorias para identificar e afastar servidores envolvidos com organizações criminosas.
"Usando a inteligência, usando a investigação, a gente está aprimorando muito a questão da inteligência, trazendo cada vez mais tecnologia. O investimento pesado que a gente vai fazer é justamente na inteligência, para que a gente possa apurar cada vez mais, verificar o caminho do dinheiro, verificar aquelas transações atípicas", disse.
Tarcísio também foi questionado sobre a proposta mencionada durante o debate de criação de um bilhete único metropolitano. O governador afirmou que a medida ainda será estudada e disse que há desafios técnicos e financeiros para implantá-la.
Segundo ele, seria necessário definir inicialmente uma governança metropolitana e, posteriormente, estabelecer um sistema capaz de integrar os diferentes meios de pagamento e regras atualmente utilizados pelos municípios.
"Nós vamos estudar, porque ele tem várias complexidades. Então, primeiro, a gente precisa criar a governança metropolitana, a gente tem que definir esse formato."
O candidato disse ainda que a integração pode beneficiar trabalhadores que utilizam o transporte público diariamente, mas ressaltou que é preciso calcular o custo da medida.
"É óbvio que isso ajuda muito o trabalhador, isso ajuda muito quem precisa do transporte todos os dias. Mas é o objetivo a ser perseguido e a gente tem que analisar do ponto de vista da possibilidade, da viabilidade financeira e da viabilidade técnica."
Nacionalização da disputa
Questionado sobre a presença de temas nacionais no debate, Tarcísio afirmou considerar natural que a disputa pelo governo paulista reflita a polarização da eleição presidencial.
Segundo ele, porém, o formato adotado pela Globo também levou os candidatos a discutir assuntos específicos do estado.
"Acho que é natural nesse cenário de acirramento que existe no âmbito nacional também, e como cada candidato acaba tendo uma ligação às duas candidaturas presidenciais mais importantes, que em alguma medida haja alguma nacionalização", disse.
"Acho que esse debate favoreceu, obviamente, o embate nacional, mas a gente também falou de São Paulo e o formato do debate favoreceu isso."
Sobre o fornecimento de energia elétrica na Região Metropolitana de São Paulo, Tarcísio afirmou que a concessão é de responsabilidade do governo federal e defendeu a necessidade de uma empresa que amplie os investimentos e modernize a rede.
Ele citou como possibilidades a troca do controlador acompanhada de eventual prorrogação do contrato ou a realização de uma nova licitação.
"O fato é que a gente precisa de uma empresa comprometida com esses municípios da Região Metropolitana de São Paulo, que possa fazer investimento, que possa modernizar e automatizar a rede", afirmou.
Segundo ele, a automação é importante para acelerar o restabelecimento do fornecimento em casos de falhas.
"Então quanto mais automação, maior velocidade de manobra e mais rápido você consegue fazer o religamento. Então a gente sofre muito por obsolescência. Então, de fato, a gente precisa de um novo concessionário."
Ao fazer um balanço do último debate antes da votação, Tarcísio afirmou que procurou apresentar realizações de seu governo e projetos para um eventual novo mandato.
"Procuramos mostrar aqui o que a gente fez ao longo desses quatro anos e procuramos projetar sempre o futuro, o que a gente pode fazer. Temos projetos, temos propostas e a gente procura em todo momento apresentar essas propostas."
Fernando Haddad foi questionado inicialmente sobre ter usado parte de suas considerações finais para falar da eleição presidencial e fazer críticas a Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República.
O candidato afirmou que considera a disputa nacional importante também para seus planos para São Paulo e defendeu a reeleição do presidente Lula (PT).
"Para mim o Brasil é muito importante. Até porque o que eu pretendo fazer em São Paulo depende muito de um presidente experiente, de um presidente comprometido com a causa pública, transparente, que dá autonomia para as instituições funcionarem", disse.
Na sequência, Haddad fez um balanço positivo do formato do debate e disse que saúde, educação, segurança, transporte, habitação, finanças e economia são os temas que deveriam receber maior atenção na campanha.
"A educação não vai bem, a fila do SUS não vai bem, a segurança não vai bem, o transporte não vai bem. Então nós precisamos de uma resposta objetiva."
Haddad também elogiou o formato do encontro. "Esse modelo de debate, na minha opinião, ele vai se consolidar. Porque definitivamente ele é o melhor debate. O melhor modelo de debate. Porque ele dá oportunidade para os candidatos desenvolverem os temas."
Relação com eventual governo de oposição
Questionado sobre como se relacionaria com o governo federal caso o presidente eleito fosse de um campo político adversário, Haddad disse que manteria uma relação institucional independentemente do partido.
Ele afirmou que agiu dessa maneira quando foi ministro da Fazenda e da Educação e quando ocupou a Prefeitura de São Paulo.
"Eu sou uma pessoa que acredita na República, eu ajo republicanamente, eu ajo de forma transparente, eu ajo honestamente em relação às minhas ideias", disse.
"Mas eu nunca discriminei, nunca discriminei. Na Fazenda, todo prefeito e governador foi recebido sem eu perguntar a que partido era."
Haddad citou ainda sua relação com Geraldo Alckmin, candidato a vice de Lula, quando comandava a prefeitura e o atual vice-presidente era governador de São Paulo.
"Como prefeito de São Paulo, eu também me dava muito bem com o Alckmin, fizemos uma amizade, éramos adversários. Mas eu não tenho inimigos, eu não faço inimigos. Eu posso ter adversários, e às vezes são momentâneos."
Alfabetização e embate com Tarcísio
Haddad também voltou ao embate ocorrido no debate sobre os indicadores de alfabetização de crianças em São Paulo.
Durante a discussão, Tarcísio mencionou um "selo ouro" do Ministério da Educação recebido pelo estado, enquanto Haddad citou a proporção de crianças alfabetizadas na idade certa abaixo da média nacional.
Após o programa, o candidato voltou a criticar a resposta do adversário.
"Eu estou dando um dado, uma porcentagem. Não estou inventando nada, só uma porcentagem. O percentual de crianças alfabetizadas na idade certa em São Paulo é menor do que no Brasil. Está abaixo da média nacional", afirmou.
Haddad afirmou ainda que a menção ao selo não respondia ao questionamento feito no debate.
"'Eu tenho o selo'. Isso não é resposta, gente. Assim, com todo respeito, eu dei até uma risada, porque eu acho que esse tipo de... você fugir do problema não é bom."
Na mesma resposta, Haddad voltou a questionar Tarcísio sobre a atuação de organizações criminosas no estado e citou o PCC e o Comando Vermelho.
"Até agora eu não sei a opinião dele sobre a presença do Comando Vermelho no Estado. Se ele reviu o deboche que fez, que eu estava inventando coisas, ou se ele sabe agora que tem um problema a mais para cuidar, porque ele não cuidou do primeiro, que era o PCC."