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Caso Gustavo: pai demitiu mãe 10 dias após nascimento do filho, diz delegado

Polícia conclui inquérito do caso Gustavo Veloso e indicia pai e madrasta por vicaricídio

G1 — Brasil · 2026-09-30T11:00:00.000Z

Polícia conclui inquérito do caso Gustavo Veloso e indicia pai e madrasta por vicaricídio

O inquérito que investiga a morte de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, foi concluído com o indiciamento do pai e advogado, Igor Veloso, e da madrasta, Kathellen Moreira. Segundo o delegado responsável pelo caso, Eduardo Menezes, a mãe, Sabrina Feitosa, era contratada pelo escritório do qual Igor é proprietário, mas foi demitida 10 dias após dar à luz ao filho.

Durante coletiva de imprensa na segunda-feira (28), a Polícia Civil informou que Igor Veloso foi indiciado pelos crimes de vicaricídio, estupro de vulnerável, tortura e fraude processual. Kathellen Moreira deverá responder por vicaricídio e fraude processual.

A investigação da Polícia Civil traça um histórico de violências praticadas pelo advogado contra a mãe, com indícios de que Sabrina Feitosa vivia em um relacionamento tóxico durante a gravidez de Gustavo, em 2022.

De acordo com o delegado, o advogado ofereceu a Sabrina uma vaga de secretária em seu escritório de advocacia, em 2021. A partir desse contato, os dois iniciaram um relacionamento amoroso, e ela engravidou de Gustavo em 2022. Igor teria se comprometido a arcar com algumas despesas da criança, mas, segundo a investigação, começou a apresentar os primeiros “desvios de conduta”.

"Inicialmente, com a Sabrina ainda grávida, ele passa a exercer um controle, querendo saber onde ela está. [...] Já por ocasião do parto, a Sabrina foi completamente desamparada, o parto foi realizado em um hospital público. Sendo um advogado com uma posição financeira muito boa, entendo que o filho dele iria também receber esse tratamento", disse o delegado.

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O menino Gustavo nasceu em janeiro de 2023, e a partir disso, Menezes explica que as violências de Igor contra a mãe começaram a piorar.

"Sabrina era contratada do escritório de advocacia, era funcionária, e 10 dias depois do nascimento do próprio filho, ele demite a Sabrina do cargo. É uma ação que na minha visão, além de desrespeitar obviamente a legislação trabalhista, ele simplesmente mostra aí já o desprezo em relação à mãe do filho e, principalmente, ao filho", afirma.

A defesa de Igor Gustavo Veloso de Sousa e Kathellen Moreira da Silva afirma que discorda das imputações e ressalta que o indiciamento não representa uma conclusão definitiva de culpa. Segundo os advogados, as responsabilidades devem ser individualizadas e baseadas em provas técnicas, e os fatos serão discutidos no momento adequado, com direito à ampla defesa (veja íntegra abaixo).

Sabrina Feitosa ao lado do filho Gustavo Veloso

O crime oconteceu na casa de Igor, em Palmas, no dia 2 de agosto de 2026. O pai procurou a polícia somente no dia seguinte, alegando que o menino teria sido vítima de afogamento. Contudo, o laudo do Instituto Médico Legal (IML) concluiu que Gustavo morreu após sofrer múltiplas agressões e violência sexual.

Inicialmente, a Polícia Civil informou que os suspeitos responderiam por homicídio duplamente qualificado e tortura. Mas a tipificação do crime foi reformulada, conforme novas evidências encontradas, para incluir estupro de vulnerável e o vicaricídio.

Segundo o delegado, Igor Veloso confirmou em depoimento que o filho pulou na piscina sem autorização e se afogou, mas foi resgatado por ele. Quando questionado, Gustavo teria dito que a mãe o autorizou a banhar na piscina. Essa situação teria irritado Igor e dado início às agressões contra a criança.

A polícia acredita que as agressões que começaram na área externa continuaram no quarto do menino, levando-o à morte. Com relação ao crime de estupro, Igor teria negado veementemente a violência.

"Ele tentou justificar que as lesões no ânus do menino teriam sido em razão das pancadas. Isso será rechaçado tecnicamente com a nova solicitação direcionada ao perito. A forma como as lesões são necessariamente causadas pela inserção de objetos", comentou o delegado.

Ainda conforme o delegado, o laudo pericial confirmou que a criança estava viva no momento em que essas lesões foram provocadas, o que configuraria também crime de tortura.

A fraude processual ocorreu após a morte de Gustavo. "Ficou claro que houve movimentação na cena do crime. Ajeitaram o corpo do menino para parecer que acordaram e encontraram ele morto. Essa alteração configura fraude processual", explicou Menezes.

O pedido de prisão de Igor e Kathellen foi feito à Justiça 48 horas após a morte. Segundo a investigação, quando foram detidos, já haviam escondido aparelhos celulares.

A Justiça negou dois pedidos de habeas corpus apresentados pela defesa de Kathellen. Apesar de ela ter uma filha bebê, o Judiciário considerou que a criança está sob os cuidados da avó e que os fatos investigados são graves.

Íntegra da nota da defesa de Igor e Kathellen

A defesa de Igor Gustavo Veloso de Sousa e Kathellen Moreira da Silva informa que tomou conhecimento do indiciamento divulgado pela autoridade policial e analisará, com serenidade e responsabilidade, a íntegra do relatório final e os elementos utilizados para fundamentar suas conclusões.

Embora respeite o trabalho desenvolvido durante a investigação, a defesa discorda das imputações formuladas e ressalta que o indiciamento constitui manifestação da autoridade policial no âmbito do inquérito, não representando juízo definitivo de culpa.

Em uma investigação de elevada complexidade e repercussão, é indispensável que as condutas sejam rigorosamente individualizadas e que qualquer conclusão esteja amparada em provas técnicas seguras, sem presunções ou transferência automática de responsabilidade entre os investigados.

As questões fáticas, jurídicas e periciais serão enfrentadas no momento e no foro adequados, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa. A defesa reafirma sua confiança de que os fatos serão devidamente esclarecidos no decorrer do processo.

Igor Gustavo Veloso foi preso na madrugada desta quinta-feira (6)

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