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As contas do setor público consolidado apresentaram um déficit primário de R$ 10 bilhões em agosto, informou o Banco Central (BC) nesta quarta-feira (30).
G1 — Economia · 2026-09-30T11:35:31.000Z
As contas do setor público consolidado apresentaram um déficit primário de R$ 10 bilhões em agosto, informou o Banco Central (BC) nesta quarta-feira (30).
🔎 O déficit primário ocorre quando as receitas com tributos e impostos ficam abaixo das despesas do governo. Se o contrário acontece, o resultado é de superávit primário.
🔎O resultado não leva em conta o pagamento dos juros da dívida pública, e abrange o governo federal, os estados, municípios e as empresas estatais.
Na comparação com agosto do ano passado, houve melhora, uma vez que foi registrado um saldo negativo de R$ 17,3 bilhões naquele mês.
Veja abaixo o desempenho das contas em agosto deste ano:
governo federal registrou saldo negativo de R$ 14,7 bilhões;
estados e municípios tiveram saldo superavitário de R$ 2,7 bilhões;
empresas estatais apresentaram superávit de R$ 2 bilhões.
Parcial do ano
No acumulado dos oito primeiros meses deste ano, ainda segundo dados oficiais, as contas públicas registraram um déficit primário de R$ 88,9 bilhões — o equivalente a 1% do Produto Interno Bruto (PIB).
Com isso, houve piora na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foi registrado um saldo negativo de R$ 61,8 bilhões (0,74% do PIB).
No caso somente do governo federal, o resultado ficou negativo em R$ 97,1 bilhões na parcial deste ano, informou o BC, contra um déficit de R$ 84,6 bilhões nos oito primeiros meses de 2025.
Para este ano, a meta é de que as contas do governo tenham um saldo negativo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões.
De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central.
Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões
O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 67,3 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais, defesa e educação).
Após despesas com juros
Quando se incorporam os juros da dívida pública na conta – no conceito conhecido no mercado como resultado nominal, utilizado para comparação internacional –, houve déficit de R$ 116 bilhões nas contas do setor público em agosto.
🔎Esse número é acompanhado com atenção pelas agências de classificação de risco para a definição da nota de crédito dos países, indicador levado em consideração por investidores.
O resultado nominal das contas do setor público sofre impacto do resultado mensal das contas, das atuações do BC no câmbio, e dos juros básicos da economia (Selic) fixados pela instituição para conter a inflação. Atualmente, a taxa Selic está em 13,75% ao ano, patamar elevado.
Segundo o BC, as despesas com juros nominais somaram R$ 1,18 trilhão (8,86% do PIB) em doze meses até agosto deste ano.
Em agosto, segundo números do Banco Central, a dívida do setor público consolidado subiu 0,2 ponto percentual, para 82,9% do PIB — o equivalente a R$ 11,05 trilhões.