ITATIBA1

Ex-São Paulo, Araruna revela drama que abreviou a carreira no futebol e usa IA para se reinventar

Futuro e transição para a vida fora do futebol; ex-São Paulo conta

ge — Futebol · 2026-09-30T17:58:45.000Z

Futuro e transição para a vida fora do futebol; ex-São Paulo conta

Aos 30 anos, Felipe Araruna mantém uma rotina de atleta. Treina todos os dias, corre, joga tênis e frequenta a academia. O futebol profissional, porém, ficou para trás bem antes do que ele imaginava. Depois de três cirurgias no joelho e de anos tentando retornar aos gramados, o ex-jogador do São Paulo precisou mudar a rota da carreira e hoje se dedica a projetos fora dos campos, inclusive com uso de inteligência artificial.

Sua última partida foi em janeiro de 2022, pelo Reading, da Inglaterra. Na ocasião, atuou por apenas cinco minutos na derrota para o Kidderminster, pela Copa da Inglaterra. Araruna voltava de uma cirurgia no joelho quando rompeu o tendão patelar.

— Meus últimos anos foram meio amargos no futebol pelas lesões consecutivas que tive, então não estive muito em campo. Talvez esse seja um dos motivos de o pessoal não ter acompanhado esse final de trajetória. Mas foi um processo orgânico de terminar. As lesões foram acontecendo, as últimas foram complexas, muito complicadas — contou em entrevista ao ge.

+ Siga o canal ge São Paulo no WhatsApp

Felipe Araruna posa com as camisas que vestiu na carreira

O desgaste não foi apenas físico. Foram três cirurgias no joelho, além de uma lesão no ligamento colateral medial. A sequência de problemas também abalou a confiança de Araruna no próprio corpo.

— O processo não é só físico, é mentalmente muito difícil, complexo. Uma atrás da outra ainda. Fiz a primeira, voltei, fiz quatro, cinco jogos, tive do outro lado. Aí voltei, joguei um pouco, tive do outro lado. No meu caso, eu parei de acreditar até no meu corpo. Então a parte mental foi muito difícil, até mais que a física.

Mais do São Paulo:

+ São Paulo treina de olho no clássico e Lucas e Bobadilla avançam na recuperação

Felipe Araruna, ex-São Paulo, comenta sobre o fim da carreira

A sequência de lesões interrompeu a passagem de Araruna pela Inglaterra. O jogador ainda tentou retornar aos gramados e recebeu propostas para continuar a carreira, mas, aos poucos, passou a olhar também para oportunidades fora do futebol.

— É como uma morte, porque pensa: você está no jornalismo e, daqui para frente, precisa fazer outra coisa. É um recomeço. Tive muita humildade de aprender, escutar, falar com outras pessoas de outros mercados e entender meu futuro. Existe essa dificuldade dos jogadores que terminam a carreira, e vai continuar tendo porque não é fácil.

Reaing foi o último clube da carreira de Araruna

O planejamento para uma vida além dos gramados começou muito antes das lesões. Por incentivo dos pais, Araruna conciliou a formação nas categorias de base e os primeiros anos como profissional com quatro anos de faculdade de Administração.

— Isso vem muito da minha família. Meus pais sempre pediram que, enquanto fosse possível, eu fizesse a escolaridade até onde desse. Dei sorte que sou de São Paulo e joguei no São Paulo, então minha estrutura é aqui, minha família é daqui.

Felipe Araruna fala sobre lesões, dores e impacto mental no fim da carreira

Os dois primeiros anos da graduação foram cursados enquanto ainda estava nas categorias de base. Nos dois últimos, Araruna já fazia parte do elenco profissional do São Paulo e precisava conciliar aulas e provas com viagens, jogos e concentrações.

— Quando ia viajar, eu abria meu laptop e ia estudando dentro do avião, fazia as atividades e os trabalhos que precisavam ser feitos.

Na faculdade, vivia o contraste entre ser estudante e jogador de futebol. Depois de entrar em campo diante de milhares de torcedores, Araruna voltava à sala de aula e encontrava colegas que haviam acompanhado seu desempenho no fim de semana.

— Era legal, mas também engraçado, porque às vezes eu jogava um clássico no domingo e, na segunda-feira, estava lá. Óbvio que tinha amigos que estavam sempre do meu lado, me protegendo e ajudando, mas tinha brincadeiras. Eu levava numa boa.

A preocupação com o futuro também passou pelo lado financeiro. Araruna conta que recebeu orientação da família desde o início da carreira e, durante a pandemia, fez um curso de investimentos e passou a estudar mais sobre o assunto.

— Minha família sempre me instruiu muito nessa parte também da minha vida, de sempre ter uma pessoa próxima falando de finanças e investimento, como é importante a longo prazo. Se não tivesse uma pessoa ao meu lado, talvez não tivesse a tranquilidade que tive de esperar uma oportunidade, de poder ter tempo de abrir outras portas.

Relação com o ídolo

Felipe Araruna subiu aos profissionais do São Paulo em 2017, promovido por Rogério Ceni, técnico da equipe na época. O primeiro contato com o ídolo o surpreendeu.

— Eu estava de férias, recebi uma ligação de número desconhecido. Eu estava no carro, indo para a academia, e eu não atendo número desconhecido. Nesse caso, atendi. Eu perguntei quem era, ele disse: “Rogério”. Eu falei: “Que Rogério?”. Ele: “Rogério Ceni”. Parei três minutos, encostei o carro e voltei a falar.

Felipe Araruna, ex-São Paulo, comenta sobre Rogério Ceni

A polivalência de Araruna, que atuava como volante e lateral-direito, agradou a Rogério Ceni. Anos depois, os dois voltaram a trabalhar juntos no Fortaleza, conquistando a Copa do Nordeste e o Campeonato Cearense, em 2019.

Com a camisa do São Paulo, fez 42 jogos. Apesar de não ter conquistado títulos pelo clube, guarda com carinho a passagem pelo time do coração e diz se sentir realizado com a carreira que construiu.

— Eu sou realizado, mas acho que tem algumas lacunas que ficaram abertas na minha trajetória. Gostaria de ter prolongado minha carreira, ter subido alguns degraus se tivesse oportunidade, mas foi gratificante.

Rogério Ceni Araruna São Paulo

Rubens Chiri - site oficial do SPFC

Reinvenção fora dos gramados

Fora dos gramados, Araruna passou a atuar no mercado corporativo. Teve contato com projetos envolvendo SAFs, ajudou um amigo em uma agência de jogadores e também passou pelo ramo têxtil. Atualmente, aposta em um novo negócio ligado à inteligência artificial.

— Eu estou num projeto de inteligência artificial com amigos. Estou empreendendo novamente. Tenho outros projetos que queria colocar em prática no futuro, alguns deles ligados a esporte, hospitalidade e performance, que vivi na minha vida aqui no Brasil, principalmente lá fora.

Faculdade e preparação para o pós-carreira

Araruna entrou no projeto a convite de um amigo que trabalha com tecnologia. A ideia é usar a inteligência artificial para desenvolver uma ferramenta que auxilie empresas em seus processos de venda.

— É uma ferramenta de vendas, só que com metodologia e inteligência. A ideia é ajudar na parte comercial, organizar o processo de vendas e trazer inteligência para esse processo.

Apesar de construir uma nova trajetória profissional, Araruna não descarta voltar ao futebol em outra função no futuro. Por enquanto, segue envolvido em diferentes projetos e buscando novas áreas de atuação.

Felipe Araruna posa com a camisa do São Paulo

+ Leia mais notícias do São Paulo

— Eu toparia um desafio desse, dependendo de qual seja a função. É um trabalho, cara, desafiador, porque o futebol brasileiro não é simples. Há muitas coisas complexas, envolve muita coisa, mas tem oportunidade de melhora. Se um dia isso acontecer, tiver essa oportunidade, eu poderia ajudar de alguma maneira.

— Sou um cara que gosta de novas oportunidades, negócios, aprender constantemente. Isso me faz uma pessoa viva depois que o futebol teoricamente morreu de forma profissional.

🎧 Ouça o podcast ge São Paulo🎧

+ Assista: tudo sobre o São Paulo no ge, na Globo e no sportv

Leia no Itatiba1 →