ITATIBA1

Caso Gustavo: consumo de álcool aumentava a agressividade do pai, diz delegado

Polícia conclui inquérito do caso Gustavo Veloso e indicia pai e madrasta por vicaricídio

G1 — Brasil · 2026-09-30T23:03:38.000Z

Polícia conclui inquérito do caso Gustavo Veloso e indicia pai e madrasta por vicaricídio

Depoimentos de testemunhas colhidos durante a investigação sobre a morte de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, revelaram que o pai do menino, o advogado Igor Veloso de Sousa, apresentava mudanças drásticas de comportamento e se tornava agressivo quando consumia bebidas alcoólicas.

A informação foi passada pelo delegado responsável pelo caso, Eduardo Menezes, durante uma coletiva de imprensa realizada no dia 28, quando o inquérito foi concluído. Igor Veloso foi indiciado pelos crimes de vicari­cídio, estupro de vulnerável, tortura e fraude processual. Kathellen Moreira, madrasta da criança, deverá responder por vicari­cídio e fraude processual. O casal segue preso.

De acordo com o delegado, a dinâmica do dia do crime, ocorrido em 2 de agosto, incluiu o consumo contínuo de álcool por parte do pai desde as primeiras horas do dia.

“Durante a investigação, nós ouvimos várias pessoas do relacionamento do Igor, e elas foram unânimes em dizer que, quando ele bebia, ele realmente se transformava, ficava bastante agressivo. Nesse dia, apuramos que ele foi até a casa da sogra e, durante todo o dia, fez a ingestão de bebida alcoólica. Voltou para casa no domingo, às 16 horas, e continuou, na área externa, na área gourmet da casa, a fazer essa ingestão de bebida alcoólica”, afirmou Menezes.

Igor Gustavo Veloso foi preso na madrugada desta do dia 6 de agosto

A defesa de Igor Gustavo Veloso de Sousa e Kathellen Moreira da Silva afirma que discorda das imputações e ressalta que o indiciamento não representa uma conclusão definitiva de culpa. Segundo os advogados, as responsabilidades devem ser individualizadas e baseadas em provas técnicas, e os fatos serão discutidos no momento adequado, com direito à ampla defesa (veja nota completa abaixo).

Caso Gustavo: entenda os crimes atribuídos ao pai e a madrasta

Laudo do IML confirma agressão contra criança de 3 anos encontrada morta em casa

Pai e madrasta são indiciados pela morte do menino Gustavo; veja os crimes

Segundo a Polícia Civil, durante o interrogatório, Igor afirmou que o consumo excessivo de álcool, combinado com medicamentos de uso controlado, teria contribuído para o descontrole que resultou na sequência de agressões contra a criança.

Conforme as investigações, a violência começou na área de lazer do condomínio, após Gustavo pular na piscina sem autorização e quase se afogar.

"Segundo ele, esse descontrole veio ainda com a ingestão de medicamentos controlados. Fazer uso de medicamentos controlados junto com essa ingestão de bebida [...] ele argumentou que isso foi uma das causas do descontrole e da raiva dele", destacou o delegado.

A investigação aponta que as agressões iniciadas na área externa continuaram no quarto de Gustavo e provocaram a morte da criança. O delegado ressaltou que o comportamento agressivo de Igor não se restringia a episódios isolados e que já havia sido relatado em relacionamentos anteriores. Testemunhas e depoimentos de ex-companheiras indicaram um histórico de abusos e intimidação.

"O depoimento dela [a madrasta, Kathellen] também já ficou claro ali que ela, assim como as outras ex-esposas e assim como a própria Sabrina, já vivia dentro de um ambiente tóxico de violência", cantou Menezes.

Igor Gustavo Veloso de Souza e Kathellen Moreira foram presos em Palmas

Enteda o caso

O crime oconteceu na casa de Igor, em Palmas, no dia 2 de agosto de 2026. O pai procurou a polícia somente no dia seguinte, alegando que o menino teria sido vítima de afogamento. Contudo, o laudo do Instituto Médico Legal (IML) concluiu que Gustavo morreu após sofrer múltiplas agressões e violência sexual.

Inicialmente, a Polícia Civil informou que os suspeitos responderiam por homicídio duplamente qualificado e tortura. Mas a tipificação do crime foi reformulada, conforme novas evidências encontradas, para incluir estupro de vulnerável e o vicaricídio.

Segundo o delegado, Igor Veloso confirmou em depoimento que o filho pulou na piscina sem autorização e se afogou, mas foi resgatado por ele. Quando questionado, Gustavo teria dito que a mãe o autorizou a banhar na piscina. Essa situação teria irritado Igor e dado início às agressões contra a criança.

A polícia acredita que as agressões que começaram na área externa continuaram no quarto do menino, levando-o à morte. Com relação ao crime de estupro, Igor teria negado veementemente a violência.

"Ele tentou justificar que as lesões no ânus do menino teriam sido em razão das pancadas. Isso será rechaçado tecnicamente com a nova solicitação direcionada ao perito. A forma como as lesões são necessariamente causadas pela inserção de objetos", comentou o delegado.

Ainda conforme o delegado, o laudo pericial confirmou que a criança estava viva no momento em que essas lesões foram provocadas, o que configuraria também crime de tortura.

A fraude processual ocorreu após a morte de Gustavo. "Ficou claro que houve movimentação na cena do crime. Ajeitaram o corpo do menino para parecer que acordaram e encontraram ele morto. Essa alteração configura fraude processual", explicou Menezes.

O pedido de prisão de Igor e Kathellen foi feito à Justiça 48 horas após a morte. Segundo a investigação, quando foram detidos, já haviam escondido aparelhos celulares.

A Justiça negou dois pedidos de habeas corpus apresentados pela defesa de Kathellen. Apesar de ela ter uma filha bebê, o Judiciário considerou que a criança está sob os cuidados da avó e que os fatos investigados são graves.

Polícia Civil conclui inquérito sobre a morte de criança em Palmas (TO) e indicia pai e madrasta

Nota da defesa de Igor e Kathellen

A defesa de Igor Gustavo Veloso de Sousa e Kathellen Moreira da Silva informa que tomou conhecimento do indiciamento divulgado pela autoridade policial e analisará, com serenidade e responsabilidade, a íntegra do relatório final e os elementos utilizados para fundamentar suas conclusões.

Embora respeite o trabalho desenvolvido durante a investigação, a defesa discorda das imputações formuladas e ressalta que o indiciamento constitui manifestação da autoridade policial no âmbito do inquérito, não representando juízo definitivo de culpa.

Em uma investigação de elevada complexidade e repercussão, é indispensável que as condutas sejam rigorosamente individualizadas e que qualquer conclusão esteja amparada em provas técnicas seguras, sem presunções ou transferência automática de responsabilidade entre os investigados.

As questões fáticas, jurídicas e periciais serão enfrentadas no momento e no foro adequados, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa. A defesa reafirma sua confiança de que os fatos serão devidamente esclarecidos no decorrer do processo.

Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.

Leia no Itatiba1 →