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O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da China, Xi Jinping, cumprimentam-se cerimônia no Palácio do Povo, em Pequim, no dia 13 de maio de 2025
G1 — Brasil · 2026-10-01T03:00:00.000Z
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da China, Xi Jinping, cumprimentam-se cerimônia no Palácio do Povo, em Pequim, no dia 13 de maio de 2025
Ricardo Stuckert/Presidência da República
A partir desta quinta-feira (1º), a carne brasileira passa a pagar uma tarifa adicional de 55% para entrar no mercado chinês. Somada ao imposto de 12% que já era aplicado, a cobrança total chega a 67%.
O aumento ocorre porque o Brasil esgotou, na quarta-feira (30), a cota de vendas sem a sobretaxa para a China, maior compradora da carne bovina brasileira.
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Neste ano, a cota brasileira de vendas sem sobretaxa foi de 1,106 milhão de toneladas. Em 2027, o limite sobe para 1,128 milhão de toneladas, mas deve ser esgotado bem mais cedo, segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa.
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“Se for o que estamos esperando, pode haver final da cota em março, mais tardar em abril, o que é muito ruim para todo o setor. Sairemos de três meses de sufoco para seis”, disse ele, em setembro.
A diferença de 2027 em relação a este ano é que o setor pode se preparar com antecedência e acelerar os embarques. A cota deste ano, por exemplo, foi anunciada só no fim de 2025, o que deixou pouco tempo para pecuaristas e frigoríficos se organizarem.
Agora, como eles já sabem quanto poderão vender sem sobretaxa, vão disputar espaço na cota antes mesmo de ela entrar em vigor.
Isso, na verdade, já vem acontecendo. A previsão do setor é que os abates comecem neste mês e os embarques, em novembro, para que a carne chegue à China em janeiro de 2027. A viagem de navio do Brasil à China leva de 40 a 45 dias.
Se as vendas se concentrarem no início de 2027, a tendência é que os negócios entre os dois países percam ritmo no restante do ano. Mas tudo depende também do apetite chinês. Segundo Perosa, os estoques de carne bovina no país estão elevados, assim como a produção de carne suína.
Ou seja, os frigoríficos podem se antecipar para vender, mas ainda não sabem em que ritmo os chineses vão comprar.
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Freio veio antes de a cota acabar
A cota do Brasil só foi oficialmente atingida no fim de setembro, mas as exportações começaram a perder ritmo dois meses antes, disse Perosa, que classificou julho, agosto e setembro como meses “duríssimos” para a indústria.
Nesse período, as exportações continuaram em volumes menores para cumprir contratos pontuais já firmados. Com menos vendas para o principal cliente, os frigoríficos precisaram redirecionar a carne para outros mercados e viram suas margens de lucro diminuir.
A queda nas vendas também aperta o caixa dos frigoríficos, já que parte deles usa os pagamentos antecipados dos compradores chineses para cobrir as despesas do dia a dia. Com menos negócios, entra menos dinheiro para manter as operações.
No final de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Uruguai havia cedido ao Brasil parte da cota de exportação de carne bovina à China. No entanto, o Ministério do Comércio da China não se pronunciou publicamente sobre os pedidos brasileiros.
Divisão da cota
Para evitar que a cota acabe tão cedo e distribuir melhor as vendas ao longo de 2027, a Abiec voltou a discutir com o governo uma divisão do volume entre os frigoríficos. Cada empresa teria uma parte, definida por critérios como sua participação nas exportações e seu histórico de vendas.
Segundo Perosa, a entidade tentou viabilizar uma proposta semelhante para 2026, mas o governo decidiu não fazer a divisão. Agora, a discussão ganha força com a entrada de mais frigoríficos brasileiros no mercado chinês, o que aumenta a disputa pela mesma cota.
Na última terça-feira (29), por exemplo, a China autorizou mais duas unidades a vender carne bovina ao país: a Supremo Carnes, de Carlos Chagas (MG), e a Masterboi, de Canhotinho (PE), segundo comunicado do Ministério da Agricultura.
A China também autorizou duas unidades de carne de frango: a Avivar Alimentos, de São Sebastião do Oeste (MG), e a Cooperativa Dália Alimentos, de Arroio do Meio (RS).
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