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Após desvios de ex-gerente, idoso perdeu cerca de R$ 200 mil e ficou com R$ 517 em conta no interior de SP, diz família

Bancária que desviou R$ 2 milhões de correntistas idosos tem vício em bets, diz defesa

G1 — Brasil · 2026-10-01T04:00:00.000Z

Bancária que desviou R$ 2 milhões de correntistas idosos tem vício em bets, diz defesa

A família de um idoso de 71 anos afirma que ele perdeu cerca de R$ 200 mil e ficou com R$ 517 na conta após movimentações que não reconhece em uma agência do Santander em Miguelópolis (SP).

Segundo uma sobrinha, que pediu para não ser identificada, o dinheiro era parte da herança recebida pela venda de um sítio da família e parte de economias que o tio juntou ao longo da vida.

O relato é de uma das vítimas da investigação da Polícia Civil que apura desvios de cerca de R$ 2 milhões de contas de correntistas, a maioria idosos.

Vanessa Gonçalves Miranda, de 40 anos, e o namorado dela, o dentista Adilson Coelho de Paula, de 56, foram presos por suspeita de estelionato em Miguelópolis, SP

A ex-gerente do banco Vanessa Gonçalves Miranda, de 40 anos, e o companheiro dela, o dentista Adilson Coelho de Paula, de 56, estão presos preventivamente desde segunda-feira (28).

Segundo a Polícia Civil, os dois são investigados por furto mediante abuso de confiança contra idosos e pessoas vulneráveis. A investigação também aponta indícios de lavagem de dinheiro, com valores distribuídos em outras contas e em casas de jogos e apostas.

O que dizem as defesas

À EPTV, a defesa de Adilson disse que ele desconhece as acusações e não tem envolvimento com qualquer ilegalidade relacionada à investigação.

A defesa de Vanessa afirmou ao g1 que ela tem vício em jogos, depressão e síndrome de burnout. O advogado também disse que ainda não teve acesso ao processo para se pronunciar sobre as denúncias.

Em nota, o Santander afirmou que coopera com a Polícia Civil desde o início da investigação e que nenhum cliente terá prejuízo financeiro.

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Dinheiro seria usado para comprar casa

A sobrinha afirma que a família descobriu o problema quando o idoso foi ao banco para consultar o saldo e fazer uma transferência relacionada à compra de uma casa com uma tia.

Segundo ela, o tio tinha cerca de R$ 200 mil guardados na conta. Ao verificar o saldo, a família encontrou R$ 517.

“Esse dinheiro era parte do dinheiro da herança de um sítio do vovô que eles venderam e parte desse dinheiro é o dinheiro que ele juntou mesmo de trabalho ao longo da vida”, disse.

A sobrinha afirma que, depois disso, a família identificou movimentações e contratações que o idoso não reconhece, entre elas limite de cheque especial, cobrança de juros e seis cartões de crédito.

Ela também disse que multas de trânsito foram cobradas na conta do tio.

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Idoso tinha dificuldade com canais eletrônicos, diz sobrinha

De acordo com a sobrinha, o idoso tinha dificuldade de leitura e de uso de caixas eletrônicos. Por isso, procurava atendimento com pessoas conhecidas na agência.

“O meu tio tem 71 anos e tem dificuldade de leitura, tem problema com usar caixa eletrônico e tudo mais, como a maioria dos idosos. Então, eles acabam procurando sempre as pessoas que conhecem”, afirmou.

Ainda segundo ela, outros correntistas que relatam prejuízo tinham perfil semelhante.

“Não foi um caso isolado. Foram várias pessoas com o mesmo perfil que foram lesadas dentro da cidade, a grande maioria com mais de 70 anos, com dificuldade de utilizar os canais eletrônicos do banco. Eles confiavam no funcionário”, disse.

O que diz a investigação

Segundo a Polícia Civil, Vanessa usava a confiança dos correntistas para movimentar e sacar valores indevidamente. As movimentações investigadas ocorreram entre 2024 e 2026.

Vanessa Gonçalves Miranda, de 40 anos, e o namorado dela, o dentista Adilson Coelho de Paula, de 56, foram presos por suspeita de estelionato em Miguelópolis, SP

A decisão judicial que determinou as prisões descreve saques indevidos, empréstimos fraudulentos, transferências não autorizadas e resgates de aplicações sem o conhecimento dos titulares, em geral clientes que não dominavam aplicativos de celular.

Sobre Adilson, a decisão aponta indícios de que ele recebia e ocultava dinheiro em contas próprias e da empresa dele.

O Ministério Público informou ao g1 que a investigação corre em sigilo.

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